Tuesday, February 26, 2008



COMUNICAÇÃO E SISTEMA

Uma percentagem significativa do correio electrónico enviado para a conta gmail do Reactor é “filtrado” e enviado directamente para a caixa “Spam”. A conclusão é clara, a maior parte da comunicação que nos é dirigida pode ser considerada “perigosa” ou “indesejável”. Poderíamos questionar os critérios de avaliação, sendo certo que a triagem não é feita por nós mas, directamente, pela “máquina”. Torna-se, de resto, evidente, que alguma dessa comunicação, mais do que ser “perigosa” para nós, é perigosa para a máquina, e quando falo em máquina estou, bem entendido, a procurar objectivar, o “sistema”. Por vezes, sou assaltado por suspeitas de que o mesmo sistema que identifica e detém as “mensagens perigosas” é o responsável pela sua criação; outras vezes, assumindo a minha posição de professor de Semiótica, ponho simplesmente em causa os critérios de análise e avaliação das mensagens que o sistema exerce. Confesso que, mesmo quando consigo compreender o comportamento do sistema (detectar padrões etc.) não o consigo (em si) perceber. Escapa-me, precisamente, o que possa ser este “em si” do sistema. E, por vezes, caio “em mim” e começo a especular sob as possíveis situações em que a minha mensagem possa ser entendida, por um qualquer sistema, como perigosa ou indesejada e, nesse instante, consigo rever-me na posição das mensagens “Spam” – confinado a um espaço onde o que eu tenho para dizer se torne, enfim, inofensivo.


Sunday, February 24, 2008



Mensalmente vamos revelar algumas das nossas memórias gráficas sbre o design prortuguês da segunda metade do século XX.






ALMANAQUE
Janeiro de 1960
Design Gráfico_Sebastião Rodrigues
Ilustração da Capa_Sebastião Rodrigues





REVISTA TECNICA AUTOMOVEL
Outubro, 1983
Design Gráfico_Armando F. Costa





QUARTOS DUPLOS
Catálogo de Exposição, 1996
Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian
Design Gráfico_Paulo Emiliano
Fotografia da Capa_Carlos Azevedo





TEMPORADA DE MÚSICA E DANÇA 2001/2002
Fundação Calouste Gulbenkian
Design Gráfico_Flúor






PÚBLICA
Suplemento de Domingo do Público
7 de Dezembro de 2003
Design Gráfico_Jorge Silva
Editor de Capa_Adriano Miranda





VENEER | FOLHEADO
Catálogo do Evento, 2003
Design Gráfico_Mackintóxico





DNA
Suplemento de Sexta-Feira do Diário de Notícias
13 de Agosto de 2004
Projecto Gráfico_Edith Jones (Cases I Associats)
Direcção de Arte_José Maria Ribeirinho
Fotografia de Capa_George Hoyningen-Huene





LUX
Flyer, Novembro de 2004
Design_RMAC

Thursday, February 21, 2008



A IMAGEM TELEVISIVA

Em Maio de 1997, o jornal Expresso inquiria seis personalidades, representativas de vários sectores sociais, sobre “a televisão que temos”. Questionavam-se, então, hábitos televisivos e solicitavam-se leituras críticas sobre a televisão, a programação e o serviço público num período de transformação marcado pelo arranque dos canais privados. Relendo a peça, interessou-me ver como as várias individualidades responderam ao pedido de serem fotografadas junto de um televisor ligado, interessou-me perceber como cada um se encenava num enquadramento dominado pela imagem no ecrã. Aceitar este convite correspondia, claramente, a aceitar um jogo de reenvios entre o que se é e o que se vê, assumindo a própria imagem como significante a ser revestido pelo significado da imagem televisiva a associar.

A identidade pública de cada um ficava, assim, marcada por uma imagem que se assumia numa espécie de hipersemia que lhe era dada pelo estatuto do medium que a suportava. Um pouco como "Videodrome", a personagem começava a entrar dentro do ecrã a partir do momento em que se deixava mobilizar pelo seu poder. Interessante é o facto das reflexões mais pertinentes sobre o poder do "medium" televisivo serem reflexões não-verbais e involuntárias. De facto, melhor do que a reflexão crítica avançada por cada um, é a encenação de uma identidade em jogo (dir-se-ia "dentro de campo") com a identidade da imagem televisiva, apresentada pelas fotografias. O que essa encenação revela é, desde logo, a consciência de que, se a televisão reduz a identidade ao plano da imagem, reveste-a, por outro lado, de um "corpo" que só se assume no ecrã.

Percebe-se, assim, a cuidadosa encenação a que cada um se entregou e que se presta a uma óptima análise semiótica. Veja-se o modo como Pedro Burmester vira ostensivamente as costas (atitude encenadamente "negligé" perante o espectáculo das massas, o futebol) ao televisor enquanto, focando a câmara, segura, negligente, uma partitura; como D. Eurico Nogueira parece pregar (a eloquência dos gestos!) ignorando um outro (curiosa a proximidade mimética) que prega na televisão; como João Soares Louro, assumindo o seu estatuto de Director de Programas da RTP, segura literalmente a televisão (que simbolicamente transmite a “jóia da coroa” as novelas da Globo); ou, ainda, como Manuel Maria Carrilho, representante nesta peça do Expresso da intelectualidade lusa, transforma a televisão num objecto em devir-livro, colocado na estante, no meio de outros livros, permitindo-nos ler Pessoa. A capacidade da televisão corroer o privado e lança-lo, já transformado, na esfera do público, acaba por se reflectir com clareza nestas imagens (toscamente) encenadas. Que as vejamos hoje num outro ecrã, agenciadas por um outro "medium", é assunto para um outro "post".







Genérico "radical" da série juvenil "Riscos" (RTP, 1997).

(Esta é uma versão de um texto publicado no Reactor a 26 de Junho de 2007)

Tuesday, February 19, 2008




1.


Ao longo da semana passada, Stefan Sagmeister foi o guest blogger do The Moment novo blog do NYTimes. O primeiro “post” deu-nos conta da sua experiência de leitor/escritor de blogues – “I have always avoided blogs, partly because writing is difficult for me (that’s why I became a designer) and partly because they seem to bring out a mean streak in many of us” – e os três seguintes são breves notas, de tom biográfico, que revelam atentos retratos do quotideano. O último post, intitulado “Defragmentation of Machine and Man”, é um elogio, também na primeira pessoa, da desfragmentação: das máquinas como das pessoas.

2.



É um novo e excelente site sobre a evolução histórica da comunicação gráfica. Podia chamar-se “A história da comunicação visual: Das cavernas aos computadores” ou ainda “The History of Graphic Design de Meggs adaptada à internet”. Muito recomendável.


3.



O Correios Norte-Americanos acabam de lançar uma série de 16 selos celebrando a obra do casal Eames. Os selos foram desenhados por Derry Noyes, designer dos USPS, numa evocação de obras dos Eames como a Eames House, a Lounge Chair, a La Chaise e muitas outras.

4.



Inaugura no próximo dia 21, no Centro Cultural da Ilha Graciosa, nos Açores, a exposição de Nuno Coelho UMA TERRA SEM GENTE PARA GENTE SEM TERRA. A exposição "Uma Terra Sem Gente, Para Gente Sem Terra" é composta por diversos posters de grande formato, com desenhos de contorno a preto-e-branco, que convidam os visitantes a preencher de cor usando os diversos lápis dispostos para o efeito. Uma vez mais, Nuno Coelho explora no seu trabalho conceitos como o vernáculo e a interactividade do público com diversos materiais impressos. Os posters mostram diversos mapas e gráficos, assim como desenhos realizados a partir de fotografias recolhidas na sua viagem de um mês à Palestina em 2006 onde teve um contacto íntimo com a complexa situação da região.

5.



O concurso chamou-se What if New York City… | Post-Disaster Housing Design Competition e pedia aos designers que concebessem soluções para uma cidade de Nova York devastada. Entre os vencedores destaque para o projecto Registrant da autoria de João Sequeira, Ana Figueiredo, Marta Moreira e Pedro Ferreira.

6.



Parece uma cena de um filme do Wes Anderson mas é uma imagem da Loja Qubus, uma loja de objectos de design situada em Praga na República checa. A loja tem objectos criados pelo Qubus Studio empresa de design criada em Praga em 2002 e uma disposição que, apesar de “original” e “contemporânea”, nos transporta para o espaço (cada vez menos real e mais imaginário) do comércio tradicional.


7.



A famosa Egg Chair desenhada pelo arquitecto dinamarquês Arne Jacobsen em 1958 e produzida por Fritz Hansen vai lançar, durante o corrente ano, 999 edições limitadas da cadeira como forma de comemorar (e rentabilizar ainda mais) os seus cinquenta anos. Um "ovo de ouro", portanto!

8.



Os melhores do ano passado (que ainda é cedo para balanços do presente) em 60 categorias (podiam ser trinta podiam ser cem, é um número caramba!) segundo a Wallpaper já foram divulgados. Tudo sobre os Wallpaper design Awards 2008 aqui.


9.



A ARTE CAPITAL publicou uma longa entrevista conduzida por sandra Jurgens com o historiador e crítico de arte João Pinharanda actualmente Director artístico do Museu de Arte Contemporânea de Elvas. Uma boa entrevista sobre um percurso crítico, exigente e coerente, já com mais de vinte anos.

10.

Numa altura em que se debate o futuro do Mercado do Bolhão, recordo “Mercado do Bolhão” o filme de Renata Sancho, visão directa sobre um espaço agora sob ameaça.

Thursday, February 14, 2008



REACTOR ENTREVISTA LUCY NIEMEYER


Lucy Niemeyer é uma das figuras mais destacadas da teoria do design no Brasil. Formada em Design Industrial pela ESDI e Doutorada em Comunicação e Semiótica pela PUC de São Paulo, é professora de Metodologia do Projecto e Semiótica aplicada ao design nos cursos de graduação e pós-graduação em Design da ESDI. Autora, entre outras obras, de “Elementos de Semiótica Aplicados ao design” e “Tipografia: Uma apresentação”. É actualmente Presidente do IBDesign (Instituto Brasileiro do Design).


REACTOR: O seu livro “Elementos de Semiótica Aplicados ao Design” abre com a seguinte questão: “Para que serve a semiótica no design?”. A questão foi já anteriormente colocada (Gui Bonsiepe, em Ulm, colocou-a; Katherine McCoy, em Cranbrook, voltou a coloca-la; autores com Papanek ou Burdek interessaram-se pela questão) e no entanto poucos são os estudantes de design e os designers profissionais que lhe conseguem dar resposta. Volto, assim, a colocar-lhe a questão: para que serve a semiótica no design?

LUCY NIEMEYER: Entendo a Semiótica como um quadro teórico que, de entre as suas múltiplas aplicações, pode fundamentar tanto decisões projectuais em design como fornecer instrumentos de análise para os resultados nesta área. Como os produtos do fazer do designer se destinam, em quase totalidade, ao uso por um ser humano, entendo como relevante o entendimento das possibilidades significativas instaladas pela relação produto/destinatário. A Semiótica oferece um consistente sistema de pensamento para tal compreensão.

R: Em muitos objectos de design contemporâneo podemos encontrar dois níveis de funcionalidade: o nível utilitário (relacionado com a função de uso do objecto) e o nível semiótico (relacionado com a sua função simbólica); aparentemente o que diferencia um objecto de design de um outro com características semelhantes não tem a ver com algo de “objectivo”, de “material” mas antes com a sua “construção semiótica”, concorda?

L. N.: Concordo. Gostaria de acrescentar que até mesmo o chamado “nível utilitário” tem aspectos subjectivos e culturais inequívocos – cada época histórica, cada competência do fazer humano é que qualificam o nível utilitário de um objecto. Nos dias correntes, um instrumento para abotoar botinas guarda o seu carácter utilitário talvez só para portadores de alguma deficiência de preensão ou de coordenação motora de musculatura fina da mão para realizar a tarefa de manejar os botões de sua camisa.

R. : Os estudos semióticos no Brasil parecem-me muito desenvolvidos, existindo vários investigadores preocupados com a aplicabilidade da semiótica ao design (Lucy Niemeyer, Lucia Santaella, Ana Claudia de Oliveira ou mesmo o Rafael Cardoso Denis entre outros). Que influência têm estes estudos sobre o design brasileiro? Penso que, por exemplo, no trabalho dos Campana a preocupação em trabalhar simbolicamente os objectos de design é evidente…

L. N. : A importância dos estudos semióticos em design ganha força à medida que eles se fazem mais presentes nos cursos de design, pelo aparelhamento dos futuros profissionais com conhecimentos nesse campo. Por outro lado há uma demanda pelos tomadores de serviço de design de soluções projectuais que particularizem o produto pelo modo mais adequado e que atinjam os interesses subjectivos dos destinatários visados. A Semiótica dá o apoio necessário para que o designer desenvolva sua propostas e também avalie as alternativas de solução.

R. : Num dos seus livros, Victor Papanek afirmava que o design é um “processo experimental que visa criar uma ordem com sentido”. A ideia é a de que o design contribui para construir um processo de ordenação (ordenação semiótica, política, tecnológica). Estarão os designers conscientes deste poder?


L. N. : Creio que os designers não têm consciência do poder que detêm, do contrário cobrariam muito mais caro pelo seus projectos e não engajariam seus esforços em fazer tanta banalidade.

R. : O ensino do design, a nível superior, no Brasil iniciou-se, segundo creio, em 1962 com a criação da ESDI. Como analisa o actual panorama do ensino do design quer em termos brasileiros quer internacionais?

L. N. : Não me sinto capaz para fazer uma análise do ensino do design no âmbito internacional. Mesmo em se tratando de Brasil não me sinto muito confortável para enunciar uma avaliação geral devido não só às extensas dimensões do país, sua extraordinária diversidade sociocultural e económica, como também pelo número de cursos de graduação em design em funcionamento, que chegam perto das três centenas (pelo menos na última semana – logo este número pode ser superado). Com tal heterogeneidade dos factores é compreensível a disparidade de situações. Devido a minha trajectória no meio académico, conheço várias instituições de ensino superior de design nos quatro cantos do país. Com elas colaborei em diferentes níveis de aproximação. Apesar de diferenças de propostas pedagógicas e de condições de funcionamento das instituições, fico muito bem impressionada com a atitude da maioria dos professores que conheci: prevalece a seriedade e o empenho na realização um bom trabalho, com o lamento constante da falta de condições institucionais para melhor desempenho e maior capacitação docente.

R. : Gui Bonsiepe afirmava há uns tempos que actualmente a responsabilidade social do design é individual pois os grandes projectos colectivos extinguiram-se. Realmente parecem já não existir projectos colectivos de referência com o foram a Bauhaus ou Ulm. Como analisa o actual rumo do design e o papel do designer perante a sociedade e o Mercado?
L. N. :
Para ser respondida, esta pergunta necessita o espaço de uma tese. Na tentativa de ser sintética, sem com isto desconsiderar a complexidade da questão, vejo como relevante e promissor o papel do designer na sociedade contemporânea e os rumos que ela aponta. No sistema de produção, o designer é o profissional que pode garantir um espaço para ética, dar o sentido filosófico, económico e político. O designer não pode ser apenas um técnico cumpridor de demandas, deve assumir uma posição ética com focos no destinatário e no meio ambiente – a subjectividade e os contextos histórico e físico. Um de seus compromissos é a ecoeficiência dos seus projetos.

R. : A Lucy Niemeyer é actualmente Presidente do IBDesign (Instituto Brasileiro do Design), que balanço faz da acção do Instituto?

L. N. : A instituição está inoperante por motivos diversos de natureza particular.

R. : Em termos de políticas do design o que está ser feito e o que, em seu entender, pode ser feito para estreitar as relações entre Portugal e o Brasil e, eventualmente, para criar efectivamente uma comunidade de design de língua portuguesa?

L. N. : Acho relevante esta aproximação, sobretudo para fazermos frente à hegemonia anglo-saxã no design. Para de facto ser criada uma vigorosa confraria de língua portuguesa devem ser intensificadas, entre outras, medidas já em andamento e já propostas: estimulação de cooperação entre instituições, com intercâmbio de professores e de alunos; organização de uma sociedade que congregue pesquisadores lusófonos (o Prof. Dr. Eduardo Côrte-Real lançou a proposta de uma sociedade de investigadores de design, por ocasião do último Congresso da Design Research Society, em Lisboa); realização de eventos científicos que reúnam pesquisadores daqueles e a amplificação da repercussão da publicação online The Radical Designist. Há muito a ser feito, portanto mãos à obra!

Tuesday, February 12, 2008




1.



"Se o design é por natureza uma disciplina que procura resolver problemas, o que acontece quando são os próprios designers e outros profissionais criativos a colocar questões sobre o presente, e o futuro, das nossas sociedades?"

A interrogação pode parecer retórica mas serve de mote para o Inspired Lisbon a decorrer entre 13 e 17 no Palácio Valadares, ao Chiado. Do programa, destaque a reinterpretação de peças do MUDE por alguns designers portugueses e para a videoconferência de Alex Steffen da WorldChanging.

2.


Chama-se Parq é uma nova revista de distribuição gratuita sobre tendências urbanas. O aspecto "trendy" da revista fica-lhe, por isso, muito bem. Parabéns ao Valdemar Lamego pelo importante contributo em mais este projecto.


3.


O Centro para o Desenvolvimento Rápido e Sustentado de Produto, uma unidade de investigação recentemente criada no Instituto Politécnico de Leiria, vai organizar ao longo do ano de 2008, um conjunto de seminários sobre “Design Sustentável” onde se discutirão aspectos relacionados com princípios de design e projecto, materiais e processos para a sustentabilidade. O primeiro seminário decorrerá no próximo dia 13 de Fevereiro contando com a presença do influente George Jeronimidis.


4.


Nos dias 14 e 15 de Fevereiro a Universidade Católica de viseu abre portas ao Open House/Festa da Arquitectura 2008 iniciativa promovida pelo departamento de arquitectura da Universidade Católica de Viseu

Destaque para a (prometedora) conferência de Daniel Carrapa intitulada “Crítico de arquitectura instântaneo”.


5.


Decorre hoje, na Restart a Conferencia "Música-O Futuro Agora" que irá contar com as presenças de Paula Homem _ Valentim de Carvalho (A&R); Pedro Trigueiro _ Universal Portugal (promoção) ; Rui Miguel Abreu _ Loop Records (A&R / jornalista); Vasco Lima _ LAD Publishing&Records (produtor); Fernando Ribeiro _ Moonspell (músico) e John Gonçalves _ the Gift (músico).


6.


São já conhecidos os vencedores do Greener Gadgets Design Competition iniciativa promovida pelo Core 77 visando o desenvolvimento de produtos DIY com preocupações sustentáveis.


7.

Termina no próximo dia 15 o prazo para envio de propostas de comunicação para o Colóquio COM O AMBIENTE NA CONSCIÊNCIA organizado pela APF e a SEA. Serão aceites papers e apresentações em áreas como arquitectura, design, artes plásticas, engenharias, eco-turismo, entre outros, embora as comunicações devam ser dirigidas a um público universitário. O evento terá lugar na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.

8.


Domingo passado o TóColante fez três anos. Não há outro blog igual, nem nenhuma outra instituição que, de uma forma tão democrática, nos tenha dado a conhecer aquela fascinante produção gráfica do período do PREC e dos anos que se lhe seguiram. Parabéns, portanto!

9.


Chama-se Le design au pouvoir e é o título da exposição do designer francês Pierre Paulin, desde dia 2 e até dia 27 de Julho na Galerie des Gobelins em Paris, oportunidade para ver obras que celebram uma década (a de 80) em que, bem ou mal, o design "ganhou poder" e as transformações que, de então para cá, se foram dando.

Thursday, February 07, 2008



O Walker Art Center, no âmbito da exposição WORLDS WAY: NEW SUBURBAN LANDSCAPES, organizada já há alguns meses, lançou o desafio, aberto ao público em geral, para a criação de uma breve narrativa, em video, contando uma história suburbana ou visão sobre as histórias suburbanas. A selecção final foi entretanto feita e os videos colocados no Youtube.



Tuesday, February 05, 2008



MANIFESTO DE BARCELONA


Devemos recuperar a tensão utópica das origens do design.
Se o design é a alegoria da transformação possível, é necessário que esta mensagem possa chegar ao maior número de pessoas, essas mesmas pessoas que, pese todos os processos de alienação, continuam a ser as potenciais responsáveis pela transformação social.
Nos dias de hoje, os mecanismos induzidos pela revolução informática engolem qualquer ideia para a vomitar em forma de mercadoria.
Torna-se urgente, no decurso da próxima década, para começar encontrar as formas adequadas capazes de limpar de redundância a ideia de transformação social, diferenciando esta reivindicação de todas as anarquias irresponsáveis que negam e banalizam a pulsão para a Utopia impossibilitando, desta maneira, o efectivo envolvimento social.
Entretanto, valeria a pena generalizar esta ideia: a ética é o objectivo de todo o projecto de design (ideia análoga ao juramento de Hipócrates).

Enzo Mari, Janeiro de 1999.

Friday, February 01, 2008



QUEM TUTELA O DESIGN?


As disciplinas não são territórios fixos mas, antes, recortes imaginários desenvolvidos por práticas e discursos sobres os quais se tendem a aplicar, a posteriori, nomenclaturas e normatividades. Deste modo, qualquer disciplina, antes de ser definida pela efectividade da sua acção, isto é, antes de ser “descrita”, por ser definida pela possibilidade da sua acção, ou seja, pode ser “entendida”.

Interessa-me esta compreensão do design como lugar de acção, projecto de “fazer ver”, de “fazer saber”, de “fazer fazer” enquanto processos de apropriação e transformação do espaço social.

A intenção de colocar o design ao serviço de “necessidades sociais”, conduz-nos a um território complexo e, frequentemente, paradoxal. Num contexto, em que os valores ocuparam o lugar das ideologias, enquanto processos de identificação e diferenciação social, assistimos a uma crescente instrumentalização de certos valores (ecologia, solidariedade, sustentabilidade) muitas vezes usados como meios de “branqueamento” ou de “persuasão” com consequências por vezes opostas às que se faziam anunciar.

Importa não esquecer que as necessidades sociais são abstracções criadas por grupos de poder, havendo tantas necessidades sociais como classes e sectores e tendendo estas a envolver, com frequência, interesses antagónicos entre si.

O design, ao estar voltado para a sociedade, ao ter como fim envolver-se nas dinâmicas, complexas e contraditórias, sociais, está sempre integrado em sistemas de poder ou contrapoder, de legitimação ou exclusão, que delimitam a sua própria acção; consequentemente, cada vez que projecta, operando socialmente, o designer toma partido. Não só é ingénuo acreditar que este “tomar partido” é incondicionado como me parece legítimo pretender que os processos de intervenção social devam ser regulados e tutelados.

A satisfação com que recebi a notícia da substituição de nomes e, espera-se, de politicas no ministério da cultura, levou-me a colocar a questão: quem tutela o design?

Se o design é um “operador social”, há que reconhecer que os planos onde opera são, necessariamente, diversos. Aliás, em princípio, quanto mais diversos forem os planos de operação social do design, melhor funciona o design e melhor funciona a sociedade.

Prática de interface, o design em Portugal é, naturalmente, tutelado por vários ministérios. O funcionamento da tutela não é tão complexo quanto se quer fazer crer, muitas vezes para eximir o próprio exercício da tutela. Tutelar significa definir uma orientação politica e garantir as condições (politicas, económicas, legais) que permitam a concretização dessa orientação. Significa investir, promover, legislar, regular.

Como é que o design vai sendo tutelado em Portugal? Por parte dos ministérios que “esbarram” com ele, vai sendo tutelado com profundo desconhecimento de causa, é o caso da educação, da cultura e, pontualmente, da economia. Em relação a vários outros, para os quais o design deveria merecer outro tipo de atenção, o facto da “ausência do design”, a ignorância a ele relativa, ser uma espécie de “herança histórica” faz com que a questão nem sequer se coloque.

Já se sabe, colocar questões pode ser incómodo, mesmo que a essas questões possa ser dada uma resposta politicamente correcta, especialidade, aliás, de muitos daqueles que nos tutelam.

PERFIL

REACTOR é um blogue sobre cultura do design de José Bártolo (CV). Facebook. e-mail: reactor.blog@gmail.com