Sunday, April 06, 2008







ABC
Ano X, N. 486, 7 de Novembro de 1929
Design Gráfico_Não Creditado







CADERNOS DO RESSURGIMENTO NACIONAL
S/D
Design Gráfico_S.P.N.






MUNDO GRÁFICO
Ano II, N. 34, 28 de Fevereiro de 1942
Design Gráfico_Neogravura







REVISTA TURISMO
N. 3, Julho-Setembro de 1959
Design Gráfico_Gomes&Rodrigues







AO LARGO
N. 255, Outubro de 1962
Design Gráfico_Neogravura







LUSÍADA
N. 2, Novembro de 1962
Vinício Cruz e Roberto Nobre






BELÉM
N.3/4, Outono/Inverno de 1998
Design Gráfico_Carlos Guerreiro







ERZATS
N. 1, Julho de 1999
Design Gráfico_Studio Andrew Howard







PAGE
N. 12, Janeiro/Fevereiro de 2000
Design Gráfico_Emanuel Rosa






NEXUS
N.1, 2007
Design Gráfico_André




Saturday, April 05, 2008



O vídeo que documenta a reportagem feita pela TVE ao projecto Musa Collective foi colocado ontem no Reactor sem ser acompanhado de nenhum comentário. Após a postagem um leitor escreveu um comentário insurgindo-se contra a pobreza do projecto Musa, caracterizando-o como um dos projectos mais "light" e vazios do actual panorâma do design gráfico português. A consideração pelo referido leitor e a pertinência do seu comentário aos, por si designados, Musa-Trendy, levaram-me a escrever estas linhas que associo a uma possível discussão, que aqui se abre aos leitores, sobre as estratégias de afirmação e promoção do design português.

Começo por esclarecer que os projectos colectivos, numa época em que a sua falência se encontrava proclamada, seduzem-me. A minha primeira reacção ao projecto Musa é, por isso, simpática. Não reconheço no Musa "a" imagem do design português mas reconheço "uma" imagem do design português. Trendy? Light? concordo que sim, embora saiba que do Nuno Valério ao André Gonçalves há trabalhos e criadores que se associaram a Musa com preocupações e com níveis de qualidade muito diferentes.

A marca tem o mérito, inegável, de proporcionar alguma internacionalização aos seus colaboradores, vão estar presentes, em Maio, no Graphic Design Festival em Breda, no RMX 200 no Chile, e há poucos meses a No Magazine num artigo sobre design português destacava-os (a par dos R2, da Experimenta, Katty Xiomara e mais alguns), este destaque segue-se a outros dados pela ID ou pela TVE cuja reportagem foi colocada no Reactor.

Admito que não me sinto deslumbrado com o trabalho da Musa mas não deixo de lhes reconhecer virtudes, sobretudo na exploração de um mercado que mesmo vivendo da circulação e consumo de um design mais descartável e efémero assume actualmente alguma importância.

Wednesday, April 02, 2008



SOMETIMES I WONDER
Por John Getz

O mundo é um palco, é certo, mas diferentes partes do mundo terão diferentes encenações e protagonistas. No início dos anos 70, cruzei-me algumas vezes na esquina da rua 54 com a 6ª avenida de Manhattan, com essa personagem insólita, um ancião cego, com longos cabelos e barbas brancas, meio profeta, meio mendigo, parecendo saído de uma ópera wagneriana.

Não era necessário falarmos com ele para percebermos que, como uma autêntica personagem, estava simultaneamente diante de nós e inelutavelmente distante. Falando com ele, sobre filosofia ou música, história ou pintura, experimentávamos a estranheza de nos sentirmos a aprender mesmo não ficando na posse de nenhum conhecimento, o conhecimento resultava do encontro.



Quando Moondog desapareceu, sem deixar rasto, no final da década de 1970, muitos de nós julgamo-lo morto. Paul Simon, um dos dedicados admiradores daquele ancião que “uivava à lua como ninguém”, chegou a fazer, na televisão, o seu elogio fúnebre.

Afinal, Moondog partira para a Alemanha, a convite da editora Kropf, onde gravaria o encantador “A New Sound of An Old Instrument”.



Ontem imaginei um possível encontro entre Moondog e Maddalena Crippa, imaginei-os a viajarem pelo Idaho, a caminharem junto as margens do Salmon River, ao som de banjos e balafones, Moondog recitando poesia, Maddalena, tombando sobre a relva, brilhando naquele palco. A primeira vez que ouvi Maddalena Crippa foi numa interpretação na ópera Pierrot Lunaire de Arnold Schoenberg numa excelente encenação de Peter Stein. Stein, tomava algumas das deixas do melodrama do Pierrot para construir as suas Brettl-Lieder encadeadas com excertos das transcrições que Schoenberg fizera da Kaiser-Walser e quejandas de Johann Strauss, oferecendo a Crippa a criação de oito fascinantes personagens. Quando surge em palco, corpo encenado pelo figurino de Moidele Bickel, iluminada – poucas vezes ouve luz tão simples e tão bela – por Cláudio Piccirilli uma revelação se dá numa harmoniosa união entre gesto e música, entre corpo-espaço e canto-tempo.



Recentemente, a minha última grande experiência de ligação profunda ao que acontece no palco, foi-me dada por um concerto de Kurt Elling. Assisti ao concerto em Chicago, começado numa quarta-feira fria e terminado numa quente madrugada de quinta-feira. Elling tem a técnica de um John Hendricks, a expressividade beat de um Mark Murphy e, por vezes, parece ter, não o diabo, mas Mrs. Ella Fitzgerald no corpo, o resultado só pode ser bom. Naquela noite foi muito bom.

Hoje, antes de adormecer, vou imaginar o encontro de Kurt com Maddalena, ao som das canções de Moondog, claro.


Nota: As crónicas de John Getz são publicadas mensalmente no Reactor.
Tradução de José Bártolo.

Tuesday, April 01, 2008



DARIO ALVES, DESIGNER

Num texto recente onde analisei alguma produção gráfica portuguesa das décadas de 1970 e 1980, elogiei a excelente capa do disco “Encounters” (1979) de Jorge Lima Barreto sem contudo referir o nome do seu autor, Dario Alves.

Conhecido pintor e professor, Dario Alves desenvolveu durante a segunda metade da década de 1970 e início de 1980 um dos mais coerentes percursos do design gráfico português, gradualmente abandonado face ao apelo mais forte da pintura.

Se, nestas obras, a influência da pintura se faz sentir, quer ao nível de referências quer ao nível de composição, destacam-se igualmente uma série de aspectos – da definição de grelha à sensibilidade tipográfica – reveladores de um certa autonomia do design gráfico, traduzidos numa linguagem simultaneamente depurada e amplamente expressiva, antecipando, em alguns casos, características exploradas por João Machado nas suas obras da segunda metade dos anos 80.


Dois Cartazes de uma série destinados a anunciar vários concertos promovidos pelo Museu Nacional Soares dos Reis.

Cartaz de Exposição colectiva de pintura, Sociedade Nacional de Belas Artes/Lisboa e Cooperativa Árvore/Porto.


Capa do disco "Encounters" de Jorge Lima Barreto.

Cartaz da exposição de calçado "Mocap", Exponor/Matosinhos.

Sunday, March 30, 2008



“A crítica é essencial para o aperfeiçoamento de qualquer actividade que façamos. Sem esse olhar terceiro sobre o que cada um de nós produz, o sistema funciona de modo incompleto, torna-se demasiado autocentrado e redutor. (…). Acima de tudo, a crítica relativiza e tem um potencial desestabilizador e desafiante que é altamente estimulante, fundamental, para o processo de criação. Sabe uma coisa? Há falta de verdadeira crítica sobre design em Portugal…”

Guta Moura Guedes, In EXPRESSO, Actual, 5 de Janeiro de 2008.


No contexto do design nacional, como no internacional, é fácil esbarrar com um designer falhado ou com um crítico improvisado. Se com o falhanço do designer podemos “sofrer na pele” (ou na inteligência), de forma directa, as suas consequências, com o falhanço do crítico tende a ser o designer a “sofrer na pele” e na inteligência as consequências que, se traduzem, normalmente, por uma maior possibilidade do seu falhanço.

Exposto o silogismo, pode concluir-se que precisamos da crítica para não sermos atacados pelo falhanço dos designers, decorrendo daqui que, quanto menos e pior crítica houver mais nos encontramos sob ameaça.

Torna-se claro que o crítico de design só tem utilidade no caso dos designers lhe prestarem alguma atenção. Ora é sabido que quem lê a crítica são, na maior parte dos casos, os críticos (da mesma forma que são os bloggers praticamente os únicos leitores de blogues), o que talvez explique que, a maioria dos textos de crítica do design, sejam reflexões sobre a crítica ou sobre textos críticos e não sobre a prática do design.

Abel Barros Baptista dizia, com inteligente humor, que uma das causas da extrema permeabilidade da profissão de crítico é a ausência de provas mínimas de acesso. Nem exame, nem estágio, nem orientação por mentor qualificado.

Esta consciência talvez explique a importante criação de cursos de Mestrado em “Design Criticism”. O primeiro, segundo sei, foi criado o ano passado por Teal Triggs na University of the Arts London, o segundo surge agora, coordenado por Alice Twemlow na SVA.

Se é verdade que o interesse pela crítica do design resulta em grande medida do efeito Design Observer também é verdade que tende a reflectir um nova cultura do design. Marcada pela gradual imposição de uma nova agenda cultural do design, sustentada por um novo impulso editorial e curatorial. Não é assim de estranhar que as referências aos anos 70 se tornem cada vez mais frequentes, afinal é a defesa de uma indistinção entre crítica do design e design como crítica que se procura de novo impor.

PERFIL

REACTOR é um blogue sobre cultura do design de José Bártolo (CV). Facebook. e-mail: reactor.blog@gmail.com