Thursday, May 10, 2007

MIKE ROSEBERY POLAROID'S

Mike Rosebery é um fótografo norte-americano. Vive em Borger, Texas e viaja pelo Texas, Arizona, Novo México em busca do que chama o "ethos" da América. Nos trabalhos que mostramos, Rosebery trabalhou sobre Polaroid's dos anos 50, o resultado é de uma serena melancolia poética.







Wednesday, May 09, 2007

A AMÉRICA DE DAVID BRINLEY

No trabalho do ilustrador norte-americano David Brinley encontramos um singular retrato da américa. O que torna este retrato fascinante é o modo como Brinley o torna, simultaneamente, realista e absolutamente ficcional em resultado da "americana" de Brinley ser construída sobre uma outra narrativa (uma outra encenação do real) encontrada na cultura popular norte-america, uma cultura popular de "largo espectro", diga-se, que vai da Time a TV Guide.

O trabalho de David Brinley foi, no último ano, publicado em revistas como a American Illustration, Communication Arts e NYC Society of Illustratorts.






Jon Wozencroft estudou no London College of Printing, trabalhando para várias gráficas e editoras antes de criar a empresa de multimédia ‘Touch’ em 1982. Desenvolveu actividade de freelancer como escritor, desenhador, editor, etc. Uma série de contribuições ‘Touch’ com Neville Brody deixaram uma participação mais próxima, primeiramente ajudando a criar o set-up do estúdio de Brody em 1987, mais tarde como autor 'da língua gráfica de Neville Brody'. Em 1990, começaram o projecto FUSE, de que Wozencroft é o editor. Jon Wozencroft começou o ensino na escola St. Martin’s School of Art and Design em Londres em 1992, onde desenvolveu um curso novo para o BA Graphic Design. Em 1994 foi nomeado tutor principal e assistente do MA Interactive Multimedia no Royal College of Art. É actualmente Senior Tutor no departamento de Comunicação de Arte e Design do Royal College of Art.

Comissário_Andrew Howard, ESAD
Organização _ESAD 2007
ESAD Escola Superior de Artes e Design_Av Calouste Gulbenkian_4460-268
Senhora da Hora_Matosinhos, Portugal
T +351 229 578 750_F +351 229 552 643_www.esad.pt

Tuesday, May 08, 2007




Foi lançado, quase em simultâneo, o primeiro número de duas novas revistas electrónicas ambas ligadas a centros de investigação nacionais: o The (RADICAL) Designist e a Communication Studies. A primeira é uma publicação dirigida por Eduardo Côrte-Real, publicada pela UNIDCOM/IADE focada no campo da história e da teoria do design; em relação à Estudos de Comunicação/Communication Studies é dirigida por João Carlos Correia e trata-se da publicação semestral do LABCOM-UBI centrando-se no campo, cada vez mais transdisciplinar, dos estudos de comunicação e media.

Tratam-se de dois projectos indiscutivelmente estimulantes, o primeiro número de ambas as publicações permite-nos encontar ensaios consistentes e actuais dentro de publicações electrónicas mais que correctas do ponto de vista de interface e usabilidade.
REACTOR ENTREVISTA MÁRIO MOURA

Mário Moura é designer gráfico, professor de design gráfico e multimédia na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto e um dos mais pertinentes e insistentes críticos do design portugueses. O seu blog (http://ressabiator.blogspot.com) é um exemplo do que um blog de reflexão crítica sobre o design deve ser.

REACTOR: No primeiro post do Reactor afirma-se que "não há design sem diálogo", enquanto profissional do design que diálogos lhe interessam estabelecer? Com quem? Sobre o quê?

MÁRIO MOURA: Se pensarmos no discurso do design como um diálogo, só costuma haver duas personagens: o Designer e o Cliente. É assim que as coisas se passam na escola, onde o cliente é invocado como uma figura retórica, um espantalho para treinar os estudantes a reconhecer o “inimigo”. Curiosamente, não se fala muito do Público. Só quando o cliente não existe ou não é fácil de definir – quando o Designer trabalha para si mesmo, ou para um país, para um partido politico (situações consideradas excepcionais, de resto). Durante o Modernismo, assumia-se que o Público deveria corresponder idealmente à Humanidade, mas este era um Humanismo preguiçoso, preconceituoso, um Humanismo por defeito. Não havia muita consideração pela Diferença, pela ideia de Local por oposição a Universal – tudo isto eram apenas problemas a resolver. Mas como pode o designer falar em nome da Humanidade, o que lhe dá essa legitimidade? Às vezes, justifica-se isso fazendo do design uma ciência, mas isso é apenas uma metáfora – usar Helvetica não torna as coisas mais científicas. Outras vezes, diz-se que o designer foi treinado, ou tem talento, para usar as suas percepções em nome do resto da humanidade. Fala-se de ter olho, do “saber de experiência feito” – no fundo, uma forma de senso comum –, apontando para o design como um conhecimento instintivo ou pragmático. No entanto, na formação do designer existe sempre um treino cultural, mas dizer que o design é uma coisa cultural nos dias de hoje implica ter em conta que existe mais que uma cultura, mais do que um público. Portanto, esta pergunta “Com quem o designer dialoga” é particularmente importante, deve ser posta constantemente e a resposta não deve ser óbvia ou automática.

R: A palavra design identifica cada vez menos um campo disciplinar definido, passando a remeter para uma campo de criação híbrido e difuso. Como vê esta indefinição em torno da disciplina?

M.M.: Acho a indefinição pouco produtiva, porque se tornou uma coisa decidida à partida – uma prescrição, portanto. Já não se trata de dizer “o design é indefinido” mas “o design deve ficar indefinido”. Nos últimos anos, as coisas indefinidas estiveram na moda, conotando liberdade, agência, nomadismo, etc. mas a indefinição acabou por ser uma maneira confortável de manter tudo num estado provisório, adiando conclusões óbvias, adiando a crítica, trivializando finalmente todas as decisões possíveis. Acabou por se tornar uma forma de conformidade, refugiada numa falsa ideia de diversidade.

R: Se lhe pedisse uma definição de design…

M.M.: Uma definição clássica de designer é “aquele que dá formas a conteúdos”. No entanto, esta definição parte do princípio que a relação entre forma e conteúdo é historicamente estável. A divisão entre forma e conteúdo, forma e função, ou aquilo que pertence ao designer e aquilo que pertence ao cliente (também pode ser dito desta maneira), é também uma divisão laboral, uma divisão ética e uma divisão política que os designers concretizam a cada trabalho que fazem. É uma fronteira que não se limita a reproduzir uma divisão prévia, mas é refeita a cada momento, com um sem número de negociações, de conquistas e de cedências. Negociar com alguns clientes não é difícil porque eles não entendem nada de design, mas porque a língua portuguesa, a economia, a engenharia, etc., já têm a sua própria maneira de lidar com as formas que não corresponde à dos designers.

R: O design sempre se caracterizou pela inexistência de um consenso programático, hoje talvez mais evidente devido à falência dos verdadeiros projectos colectivos, a teoria do design sempre oscilou entre uma interpretação do designer enquanto "agente social" e uma interpretação do designer enquanto um "agente do mercado", parece-lhe haver sentido nesta distinção?

M.M.: Uma das fronteiras de que falei mais atrás surge também aqui: entre o mercado e a intervenção social. Sem querer cair em denúncias fáceis, ser agente social é fazer parte do mercado. Neste momento, sair do mercado é uma falsa questão. Se em algum lado precisam de um designer é porque, de uma forma ou outra, há mercado. E isto não é uma contradição ou uma desvalorização. Somos levados, através da maneira como se pratica o design, a acreditar que o social e o político são situações excepcionais – que estão mais do lado dos conteúdos do que das formas. Mas em todos os actos de design, em todos os objectos é redefinido a cada momento aquilo que separa o social do económico.

Uma das ambições do design foi sempre a objectificação do sujeito, uma crença de que há um equivalente no plano das formas para a ética, para a política, para a economia. Em consequência, acreditamos que existem temas, clientes e objectos sociais, políticos ou éticos por oposição a tudo o resto, que acaba por ser considerado neutro.

R: Perante o relativismo dos valores (e, em particular, dos valores do design após a crise do projecto moderno) não será importante mostrarmos que existe uma diferença profunda entre a "ética individual" e a "ética disciplinar"? Quero dizer, os valores que orientam o design não podem ser relativos aos valores que guiam o comportamento dos seus profissionais…

M.M.: Poder-se-ia também definir o design como a tentativa de produzir uma ética da produção e consumo de objectos. Neste aspecto, a tendência do design foi sempre objectificar a ética, acreditar que pode estar contida nos objectos. Na verdade, as decisões éticas, – se são realmente decisões éticas –, são sempre difíceis e são sempre pessoais. Não se pode cair no erro de ter uma ética pronto a vestir, de acreditar que os nossos objectos decidem por nós. Podem informar as nossas decisões, mas não podem tomar as decisões por nós. Da mesma maneira, uma ética disciplinar pode informar as nossas decisões, mas não tomá-las por nós.

R: Ainda há espaço para utopias no design? O Enzo Mari dizia que o design é um "acto de guerra" e o Brody, há umas semanas atrás, dizia que usamos poucas vezes a palavra revolução

M.M.: É curiosa a associação da ideia de utopia com a ideia de revolução ou guerra, mas o design como grande remodelação utópica da realidade já aconteceu. Segundo Hal Foster, desde os jeans aos genes agora tudo é design. Curiosamente, os designers são as pessoas que mais se queixam desta designificação do mundo. A única revolução possível é a dos designers contra o design.

R: Qual é a sua "utopia pessoal"?

M.M.: Haver uma crítica de design mais regular sobre design em Portugal. Conseguir editar uma revista, por exemplo.

R: Parece-lhe que a blogosfera tem contribuído para o desenvolvimento de um debate sobre em torno do design?

M.M.: Sim, embora se torça o nariz aos blogues (às vezes, quando me apresentam em eventos de design, dizem “Este é o Mário Moura, que tem um blog” – consegue-se mesmo ouvir o itálico). Mais recentemente tem havido também cobertura regular nos jornais, embora seja um discurso demasiado promocional: o design é fixe, o designer é muito cool, o evento tal é estimulante, mas não se analisa as coisas com profundidade. Promove-se o design, mas esse discurso positivo acaba por lhe dar um ar superficial e pouco sério. O design custa dinheiro, tem consequências, nem sempre positivas, e é isso que o torna interessante, não o facto de existir numa esfera irrealista de coolness cosmopolita e inovadora, que está sempre um passo à frente da realidade.

R: Quais são os seus blogues de referência?

M.M.: O designobserver.com, o underconsideration.com/speakpup ou o imomus.livejournal.com. Cá em Portugal gostava de ler o DesignerX, que acabou, gostava também de ler o SOSD1, que também acabou. Gosto do “Isto Não é Uma Tese”, que é um blogue misto, meio pessoal, meio de investigação.Tenho pena que não haja mais produção regular e sobretudo uma produção mais crítica. A tendência é os blogues serem apenas afirmativos. Coloca-se imagens de que se gosta, música e citações e isso dá origem a blogues-lista ou blogues-agenda (como o Quipsologies ou o Coconut Jam) que podem ser muito viciantes, mas ainda assim não são crítica.

R: Que pergunta acrescentaria a esta entrevista? E que resposta ela lhe mereceria?

M.M.: Nem sempre consigo responder a uma pergunta com uma pergunta (mesmo quando também há uma resposta envolvida).

Friday, May 04, 2007

O UNIVERSO DE BABS SANTINI

No próximo sábado, no âmbito do ciclo "Anos 80: Lastro e Rasto", vão actuar no auditório de serralves os Nurse With Wound. Criados em 1978 (por Steven Stapleton, John Fothergill e Herman Pathak) no interior do campo (largo) na No-wave, o projecto NwW, há semelhança de projecto com os quais partilhavam colaborações e afinidades como os Current 93 ou os Sol Invictus, caracterizou-se sempre pela mutabilidade de orientação e pela exploração de diversas referências culturais (do romance Gótico ao Surrealismo) daí resultando a criação de ambientes densos e obscuros. A principal referência dos NwW Steven Stapleton é, habitualmente, o responsável pelo design gráfico dos discos e pela realização dos videos. Como designer Stapleton assume o alter-ego Babs Santini tendo desenhado imensas capas de discos, quer dos NwW quer de várias outras bandas.

Sol Invictus "Lex Talionis" (1993)


Nurse With Wound & Stereolab "Crumb Duch" (1996)


Current 93 "Dogs Blood Rising" (1984)

Aqui fica o video "I've plummed this whole neighborhood" um bom cartão de visita do insólito universo de Santini e dos NwW.


Wednesday, May 02, 2007

THE LONG WAY HOME


Confiar na memória como guia é uma forma de nos perdermos pois, nessa viagem de regresso, ela opera fantásticos desvios. O que havia lá estado, o que devia lá estar, quase nunca nos aguarda e se o passado esperar por nós será ainda na memória que ele se cumprirá e, por fim, restará, talvez, apenas uma imagem. Mesmo agora o rasto que a memória de mim deixa é um rasto de imagens. É esse rasto que, de seguida, irei percorrer convosco.



Não é apenas o véu a cobrir, suavemente, o rosto de Annette Peacock. Há algo mais que o vela e que permanece, para vós, invisível: o meu olhar. “I belong to a world that’s destroying itself” dizia ela e eu seguia-a – até às estrelas.



Estávamos, suponho, no fim do Outono de 1987, tinha 15 anos e uma saudade vaga de tantas coisas que não posso agora descrever. Havia comprado o mini-LP dos Ban “Alma Dorida” uns meses antes e percebia bem o porquê dos dias serem cinzentos. É um retrato dos Ban a imagem que vêem e é extraordinário. Recortei-o e guardei-o dentro de um livro – “Do fim do Mundo” de Nuno Bragança – encontrei-o quando já o havia esquecido e o trabalho da memória recordou-me que foi mesmo assim.



Vi este filme ao teu lado e nunca mais te vi. A estrada terminou e mal sei quanto de mim deixei pelo caminho.



Tinha oito anos quando vi pela primeira vez “I Kow Where I’M Going” de Michael Poweel e Emeric Pressburger e lembro-me tão bem. Lembro-me tão bem da agitação do vento e da certeza das marés e lembro-me bem de Wendy Hiller a resistir com todas as forças a essa força irresistível de se ser tocado pela paixão. Nesse dia decidi que, em adulto, iria procurar Wendy Hiller promessa que cumpri quando tinha 22 anos. Coloquei-lhe um narciso sobre a campa e durante alguns dias não me apeteceu falar.



A fotografia é de John Vachon (“Fredericksburg”, 1936) recortei-a de um jornal que encontrei no comboio. No verso do recorte há uma data – “06 de Maio de 91”- e uma frase – “não voltes atrás” - escrita na minha caligrafia da altura.



Tenho uma memória difusa de ter ido ao CAM ver “Interiores” de Rui Horta. Terá sido, salvo erro, em 88 ou 89. Era uma obra para seis bailarinas com música de Ettienne Schwartz, pondo em cena um dormitório de raparigas. Não havíamos combinado ir juntos mas encontrámo-nos à saída. Era tão de noite quando atravessamos o largo do cauteleiro em direcção a tua casa. Por vezes ainda penso no que no poderia ter acontecido se não nos tivéssemos desencontrado.



Mal sabemos o que deixa nas imagens o tempo que por elas passa. Cada vez que as vemos é possível nelas encontrar qualquer coisa que não havíamos detectado no olhar anterior. Mas esse trabalho dos dias, que deixa sobre e leva das imagens uma quase-sombra, exige ser reconhecido e devolvido, pelo nosso olhar, sobre as imagens. A imagem é de um filme de que gosto muito, “Little man what now?” de Frank Borzage.



Uma das características do trabalho da memória é operar permanentes transgressões de fronteiras: o que havia sido definido, compartimentado, isolado é recuperado de um modo que suscita novas e imprevisíveis tensões, afinidades e relações.
Vem isto a propósito do meu trabalho da memória sobre o belíssimo filme de Vitali Kanevski “Não te mexas, morre e ressuscita”. Vi-o aquando da sua estreia em Portugal no cinema King no início de 1991. Desde então não o revi embora me recorde muito bem dele e a recordação convoca uma série de figuras e fragmentos que, numa espécie de dança, se envolvem entre si. E assim, as imagens, pujantes, do filme de Kanevski, misturam-se com imagens de um filme de Dovjenko (seria A Terra ?), com o silêncio de Lisboa, numa noite de Inverno, contemplada de uma janela do Príncipe Real na demora de um cigarro indiano, com o espanto com que vi (nesse mesmo dia) “David Lynch: Don’t Look at Me” um notável documentário de Guy Girard e, por entre o que a memória monta, há ainda o teu rosto iluminado no meio da noite pelo fogo do isqueiro e no embalo de uma canção de Julee Cruise (Floating into the Night) há uma voz que diz: “percam-se e não regressem”.


Mesmo não sendo cedo ainda não é tarde. Nunca será tarde demais para um dia acontecer. A imagem é de Regarde La Mer de François Ozon. Vi-o sozinho no 222. Pertence a um tempo em que ainda não era teu.
Designers Republic - "Citizen Bird"

Saturday, April 28, 2007

REACTOR ENTREVISTA DIOGO VALÉRIO

Diogo Valério é um dos mais estimulantes designers gráficos portugueses encontrando-se de há uns anos a esta parte a trabalhar em Oslo, primeiro naBleed e, actualmente, no estúdio Jimmy Royal.


REACTOR: No primeiro post do Reactor afirma-se que “não há design sem diálogo”, enquanto profissional do design que diálogos lhe interessam estabelecer? Com quem? Sobre o quê?

DIOGO VALÉRIO: Todos os possíveis. Especialmente em design de comunicação não faz sentido não haver diálogos. Quer com os clientes, quer com profissionais de qualquer outra área que o designer sinta relevância em consultar para o desenvolvimento de um projecto.


R:A palavra design identifica cada vez menos um campo disciplinar definido, passando a remeter para uma campo de criação híbrido e difuso. Como vê esta indefinição em torno da disciplina?

D.V.:Acredito que, mesmo que assim o seja, ainda haja um mínimo denominador comum que é o projecto e que vem responder a uma questão/problema sugerido ou real. Há sempre lugar para repensar qualquer solução já existente, por mais sólida que seja, mas por outro lado e talvez a prática mais comum será a resposta a um briefing normalmente com uma preocupação comercial.

Simultaneamente acredito que seja uma questão de semiótica. Não me parece possível existir uma disciplina, com uma forte presença social, e que seja tão díficil de traduzir um significado claro.


R: Se lhe pedisse uma definição de design…

D.V.: Disciplina projectual.


R: O design sempre se caracterizou pela inexistência de um consenso programático, hoje talvez mais evidente devido à falência dos verdadeiros projectos colectivos, a teoria do design sempre oscilou entre uma interpretação do designer enquanto um “agente social” e uma interpretação do designer enquanto um “agente do mercado”, parece-lhe haver sentido nesta distinção?

D.V.: Não, de todo! Penso que esta separação só ajudou a criar uma maior indefinição em torno da disciplina. É-me extremamente difícil interpretar o design em pólos. O Design é por natureza uma disciplina inclusiva e não exclusiva; extremamente influente na sociedade, quer a nível cultural quer a nível do conforto. Se pensarmos em arquitectura será atroz dizer que o arquitecto não tem responsabilidade cultural, social, tecnológica.


R: Perante o relativismo dos valores (e, em particular, dos valores do design após a crise do projecto moderno) não será importante mostrarmos que existe uma diferença profunda entre a “ética individual” e a “ética disciplinar”? Quero dizer, os valores que orientam o design não podem ser relativos aos valores que guiam o comportamento dos seus profissionais.

D.V.:Acho extremamente relevante ser levantada esta questão. Há dois níveis que acho de particular serem desenvolvidos. O primeiro será que muitos dos profissionais em design operam em grupo ou entidades comerciais, que se distinguem pelos seus valores corporativos (não querendo abordar questões de qualidade nem estéticas). Simultaneamente são constituídos por indivíduos, estes com valores e referências distintas ainda assim compatíveis com a entidade corporativa.

Por outro lado, existe uma prática de autor que normalmente reflecte um maior grau de experimentação que podem resultar num confronto directo entre o que possa ser uma ética disciplinar e uma ética pessoal. Uma vez que as fronteiras do projecto podem ser dissimuladas pela utilização de novas tecnologias, práticas sociais, etc., sendo arriscado um julgamento de valores prematuro.

Recentemente, enquanto designer de comunicação num atelier, foi-me entregue um projecto para redesenhar o website de um partido de direita (equivalente no seu posicionamento político ao CDS) ao qual eu renunciei imediatamente. Isto deixou-me extremamente desconfortável durante bastante tempo, não por ter renunciado ao projecto mas por estar envolvido num atelier onde vê qualquer "trabalho" claramente como um oportunidade comercial falhando uma qualquer estrutura ética profissional.

Há poucos meses em Portugal, em relação ao referendo, recordo um artigo de Frederico Duarte para o jornal “O Público” onde escrevia uma observação extremamente relevante: " O Estado Português, representado neste referendo pelo Secretariado Técnico dos Assuntos para o Processo Eleitoral (STAPE) do Ministério da Administração Interna, apela ao nosso voto através de, entre outros meios, um “cartaz anunciador do referendo” (termo oficial), que se encontra afixado em locais e transportes públicos por todo o país. No entanto, estará o Estado, com este discreto cartaz, a cumprir de facto com a sua parte do processo eleitoral? Não deverá um “cartaz anunciador de referendo” ter como objectivos fundamentais não só informar, mas sobretudo cativar e mobilizar a opinião pública" Mais à frente no artigo o autor referencia um exemplo onde a comunidade de designers não é tão apagada como em Portugal: "a iniciativa "Get Out the Vote" da AIGA (associação profissional dos designers de comunicação americanos), que começou após o escândalo dos boletins de voto da Florida na eleição presidencial de 2000. Sob o lema "Good design makes choices clear", vários dos seus associados conceberam cartazes com um único objectivo: apelar ao voto."




R: Ainda há espaço para utopias no design? O Enzo Mari dizia que o design é um “acto de guerra” e o Brody, há umas semanas atrás, dizia que usamos poucas vezes a palavra revolução.

D.V.: Sempre haverá espaço para utopias, mesmo que seja utilizar a palavra revolução mais regularmente e talvez um dia, em breve, tenhamos a coragem de fazer uma. Recentemente fiquei muito surpreendido com o trabalho de alguns estudantes de design e recém licenciados, que numa época pós revolução digital, vêm trazer uma frescura ao design de comunicação com uma linguagem extremamente naif mas simultaneamente sólida. O colectivo Yokoland, dois colegas de universidade que recentemente acabaram a licenciatura em design de comunicação em Oslo, diziam numa entrevista à revista I.D. que a maior parte dos designers de comunicação tentam apenas simplificar a comunicação de forma a deixar a mensagem clara. Eles por sua vez fazem exactamente o contrário, criam mais problemas e tornam as coisas mais complicadas. Não será esta uma estratégia para se perceber se o problema está no design de comunicação ou na mensagem a ser comunicada?...

R: Qual é a sua “utopia pessoal”?

D.V.: Continuar a acreditar...


R: Parece-lhe que a blogosfera tem contribuído para o desenvolvimento de um debate sobre em torno do design?

D.V.: Sem dúvida que sim, mas ao mesmo tempo a tecnologia tornou as nossas vidas mais cheias, desconfortavelmente cheias. É necessário um filtro maior e é sempre difícil ganhar afinidade, intelectual e estética, de uma forma regular e crescente com tantos blogues emergentes. Eu preciso sempre algum tempo para sentir segurança e reconhecer qualidade nos conteúdos disponibilizados.


R:Quais são os seus blogues de referência?

D.V.: Reactor (http://reactor-reactor.blogspot.com/index.html)
Design Oberver (http://designobserver.com/)
Typeradio (feed://www.typeradio.org/podcast.php)
Generator X (feed://www.generatorx.no/feed/atom/)
Pasta and Vinager (http://tecfa.unige.ch/perso/staf/nova/blog/)
Eyebeam (feed://www.eyebeam.org/reblog/atom.xml)
Precious Forever (http://www.precious-forever.com/weblog/)

R: Muito obrigado.
FICÇÕES NO PAÍS DOS “GRAPHICS”



Com o desenvolvimento da indústria discográfica no pós-guerra um número considerável de designers norte-americanos e europeus, muitos deles refugiados durante o conflito, encontram aí um espaço privilegiado para desenvolverem uma nova linguagem gráfica, com maior espaço de experimentação, envolvendo, em muitos casos, públicos receptivos a novas formas de comunicação gráfica.





Nos anos 50 o design gráfico Norte-Americano encontra-se, essencialmente, dominado por profissionais ligados ao New Advertising como Alvin Lusting, muitos dos designers suiços que a partir dos anos 30 chegam aos EUA são "relegados" para um mercado que, só na aparencia, é menor a "indústria cultural" onde se destaca, entre outros, Erik Nitsche que nos anos 50 é o director de arte da 20th Century-Fox.






Para a indústria discográfica trabalharão muitos dos melhores, como Chermayeff, Geismar ou Steinweiss, no entanto o design, por vezes muito revolucionário, das editoras independentes foi assegurado por uma galeria de notáveis e quase desconhecidos designers gráficos como Frank Gauna (notável a cover para o disco de Al Caiola "Sounds for Spies"), Peter Whorf ou Marcel Russell.





Nas capas de vários destes discos encontramos sinais de uma linguagem tendencialmente híbrida, expressão da aproximação entre uma cultura popular e um mercado, por vezes selectivo, que mistura e apróxima diferentes referências culturais.







Friday, April 27, 2007

WORLD GRAPHICS DAY 2007



O REACTOR convidou alguns designers a associarem-se a este WGD'07. Eis as suas mensagens:

"Mess is bore"
Nuno Coelho

Alexandre Rola

Tiago Carneiro

REACTOR

Ricardo Almeida

Ricardo Leite

André Barradas & Anabela Abreu

Maria Manuel Rola

Monday, April 23, 2007



Gerard Unger nascido em Arnhem, Holanda, em 1942. estudou design gráfico, tipografia e design de tipos de 1963 a 67 na Gerrit Rietveld Academy, Amesterdão. Como Professor Visitante ensina na University of Reading, Inglaterra, Departamento de Tipografia e Comunicação Gráfica, e ensinou na Gerrit Rietveld Academy até 2007. Desde Setembro 2006 é professor de Tipografia na Universidade de Leiden._Designer independente desde 1975, desenhou selos, moedas, revistas, jornais, livros, logótipos, identidades corporativas, relatórios de contas anuais, outros objectos e muitos tipos. Em 1984 recebeu o prémio H. N. Werkmann pelo conjunto do seu trabalho tipográfico, em particular o design de tipos digitais, e pelo modo como reconciliou a tipografia com a cultura tipográfica. Em 1988 ganhou o prémio Gravisie pela concepção de “Swift”, e em 1991 recebeu o prémio internacional Maurits Enschedé por todos os seus designs de tipos._Escreveu artigos para a imprensa comercial e várias outras publicações, tais como “Landscape with Letters” (1989), relacionando o normalmente limitado âmbito da tipografia com uma muito mais vasta perspectiva cultural. O seu livro “Terwijl je leest” – acerca da leitura – foi publicado em 1995 e uma edição completamente renovada foi publicada no Outono de 2006, estando em preparação as versões em inglês, alemão, italiano e espanhol. Com frequência faz conferências na Holanda e no estrangeiro sobre o seu próprio trabalho, design de tipos, processo de leitura, design de jornais e outros assuntos relacionados.

Gerard Unger born at Arnhem, Netherlands, 1942. Studied graphic design, typography and type design from 1963–’67 at the Gerrit Rietveld Academy, Amsterdam. He teaches as visiting Professor at The University of Reading, UK, Department of Typography and Graphic Communication, and taught at the Gerrit Rietveld Academy, Amsterdam, till January 2007. From September 2006 he is Professor of Typography at the University of Leiden. Free lance designer from ’75. He has designed stamps, coins, magazines, newspapers, books, logo’s, corporate identities, annual reports and other objects, and many typefaces._In ’84 he was awarded the H.N.Werkman-prize for all his typographic work, for digital type designs in particular and for the way he reconciled technology and typographic culture. In ’88 he won the Gravisie-prijs for the concept of Swift, and in ’91 he was awarded the international Maurits Enschedé-Prize for all his type designs. He wrote articles for the trade press, and several larger publications, such as ‘Landscape with Letters’ (1989), linking the usually limited scope of type and typography with a much wider cultural view. His book ‘Terwijl je leest’ — about reading — was published in ’95 and a completely new edition has been published in the autumn of 2006. English, German, Italian and Spanish versions are in preparation. He lectures frequently in Holland and abroad, about his own work, type design, the reading process, newspaper design and related subjects.

Comissário_Andrew Howard, ESAD
Organização _ESAD 2007

Saturday, April 21, 2007

COMEMORAÇÕES DO WORLD GRAPHICS DAY



No dia 27 de Abril os designers gráficos e de comunicação e as associações de design espalhadas pelo mundo celebram o World Graphics Day. Este dia marca o nascimento do Icograda (International Council of Graphic Design Associations) em 1963. O WGD será assinalado em diversos locais, incluindo aqui no REACTOR que lhe vai dar um destaque particular no próprio dia. Destaque, igualmente, para as iniciativas promovidas pela FBAUP e pela UA e que terão lugar no dia 26 no espaço das Belas Artes com o seguinte programa:

10h30
Sessão de Boas-Vindas / Champagne Breakfast
com selecção musical matinal pelos estudantes DD-FBAUP
(Pavilhão Carlos Ramos)_11h30
Visita guiada à exposição "Museu do Abate"
(Galeria da Cozinha)__12h00
Acção colectiva "Design Against The Clock"
Coordenação: Equipa [up]arte
(Bar FBAUP)__15h00
Sessão na Aula Magna
Intervenção pelo Presidente do Conselho Directivo da FBAUP
Prof. Doutor José Vaz
"Portugal precisa de Design"
Henrique Cayatte, Presidente do Centro Português de Design
Manifesto: O que precisa de ser dito sobre Design em 2007?
Design Marathon
Estratégias de Desenvolvimento para o Design em Portugal
DD-FBAUP e DeCA-UA
Debate__17h00
Mixtape DD
Selecção musical comentada e ilustrada pelo DD-FBAUP
(Aula Magna)

Thursday, April 19, 2007

THE DESIGN 100




A Revista TIME publicou uma lista das 100 referências (entre designers, empresas, publicações, etc., etc.) mais influentes da actual cultura do design. Vale o que vale!
REACTOR ENTREVISTA EDUARDO CÔRTE-REAL


Eduardo Côrte-Real é um dos nomes mais destacados da reflexão e do ensino do design em Portugal. A sua tese de Doutoramento em Arquitectura (“O Triunfo da Virtude. As Origens do Desenho Arquitectónico”, Livros Horizonte, Lisboa, 2001) propõe uma reflexão do “pensamento enquanto desenho”, tese que Eduardo Côrte-Real tem desenvolvido em inúmeras publicações nas quais os processos de “configuração” e “interpretação” do mundo através do desenho são postos em evidência. Da sua ligação ao ensino (iniciada na Faculdade de Arquitectura) destaca-se o seu marcante contributo na afirmação nacional e internacional da Escola Superior de Design do IADE, instituição da qual é, actualmente, presidente do Conselho Científico e editor do Journal publicado pela unidade de investigação (UNIDCOM).

REACTOR: Há um post no Reactor intitulado “O estado do design”. O que é que este título lhe sugere actualmente?

EDUARDO CÔRTE-REAL: O "estado" sugere uma relação com os estados gerais? Clero, Nobreza e Povo? Ou os estados naturais? Líquido, gasoso, sólido e plasmático? Assim seria Popular e Plasmático.

R: A palavra design identifica cada vez menos um campo disciplinar definido, passando a remeter para uma campo de criação híbrido e difuso. Corresponderá isto a um fracasso ou a triunfo do design sobre a cultura contemporânea?

EC-R: Porque haveria o Design de triunfar sobre a cultura contemporânea? A pergunta não faz sentido especialmente relacionada com a afirmação anterior. A palavra design nunca identificou um campo disciplinar definido, sempre remeteu para campos híbridos e difusos e nem sempre de criação. Quando o momento em que quase que se autonomizou como disciplina, aproveitou as sobras da arquitectura da escultura das artes gráficas, da fotografia, da ilustração, da pintura, das artes em geral para operar em interstícios projectuais ou sem nome ou com nomes de pouca dignidade. O Design é a infraestrutura da cultura contemporânea por muitas razões. Se isto se pode por em termos de triunfos... venha a bolacha Maria.

R: Há um conceito estruturante do pensamento projectual do Walter Gropius que é o conceito de “design total”, a ideia é, em síntese, a de que ao designer compete a definição intencional das modalidades de relação social, o design seria, assim, uma disciplina de definição politica. Não lhe parece que este “exercício político” do projecto é tão mais eficaz quanto mais imperceptível for e, neste sentido, o carácter difuso do design não poderá ser um sinal da sua eficácia?


EC-R: Não me parece que se possa inferir o exercício político da expressão de Gropius a não ser pelo truísmo de que todos os actos sociais são políticos. Quando se fala em eficácia está-se a falar da eficácia do Design ou do exercício político? Só pode ser o do exercício político projectual. Não concordo. Parece-me que o exercício político do projecto beneficia do carácter difuso do design que aqui se parece confundir com discrição. Noto que a difusão não implica a imperceptibilidade. Coisas muito difundidas, como o Benfica, são muito perceptíveis. Algumas coisas muito difundidas são também discretas e julgo que é sobre isso que perguntas. Voltando ao design global de Gropius parece-me mais que é qualquer coisa que antecipa a sistémica, que alerta para os feixes de consequências sociais que os objectos criam (criariam). Gropius esquece que o Social expurga e aceita e recompõe, edita, por assim dizer, os objectos recriando os sistemas. Gropius era um senhor mal-humorado com vocação demiúrgica e totalitária, devemos julgá-lo pela sua produção e pela genealogia da sua produção e não pelas suas propostas teóricas.

R: Se lhe pedisse uma definição de design…


EC-R: Pediria.

R: O design sempre se caracterizou pela inexistência de um consenso programático, hoje talvez mais evidente devido à falência dos verdadeiros projectos colectivos, a teoria do design sempre oscilou entre uma interpretação do designer enquanto um “agente social” e uma interpretação do designer enquanto um “agente do mercado”, parece-lhe haver sentido nesta distinção?


EC-R: Parece-me que há todo o sentido em fazer distinções do ponto de vista analítico. Sabemos que o agente social e o agente do mercado estão amalgamados, são um só mas distingui-los analiticamente dá jeito.

R: Perante o relativismo dos valores (e, em particular, dos valores do design após a crise do projecto moderno) não será importante os designers mostrarem que existe uma diferença profunda entre a “ética individual” e a “ética disciplinar”? Quero dizer, os valores que orientam o design não podem ser relativos aos valores que guiam o comportamento dos seus profissionais…


EC-R: Não sei o que se quer dizer com projecto moderno. Projecto modernista? O Projecto da Modernidade? O Projecto do Modernismo? Tenho uma certa dificuldade em aceitar a existência de uma ética individual tal como é colocada. Aceito a possibilidade de uma ética individual para além da profissão. Uma ética profissional é sempre uma ética social que, em dado momento, se pode desfasar daquilo que se chama ética disciplinar e é aí que as novas disciplinas surgem, porque houve um desfasamento.

R: Historicamente, o design foi sendo pensado como uma disciplina de “dimensão utópica”. Ainda há espaço para utopias no mundo contemporâneo?


EC-R: Acho que historicamente não foi nada pensado como uma disciplina de dimensão utópica. Foi pensado como uma disciplina de dimensão prática virada para a produção de coisas realizáveis e isto é muito mais inerente às disciplinas do Design do que a dimensão utópica. Primeiro, acho que a disciplina do design não se chegou a constituir. Existe sim um enorme grupo de actividades humanas entre a ciência, embora participando da técnica, e a arte, embora participando da estética que designamos (a aliteração é irresistível) por design. Em geral lidamos com os aspectos antecipação controlada de artificialidade a produzir e com a reflexividade desses aspectos no produzido. Este domínio é incomensurável. (Creio que, em breve a palavra design cairá por excesso de universalidade). Sendo assim, o Design não tem dimensão utópica mas, em certa medida tem-na Profética. Há sempre uma dose de profecia envolvida. Aliás acho que era isso que o Gropius quereria dizer se fosse menos programático.
As Utopias existem sempre na contemporaneidade. Aí é que encontram toda a sua pujança. Nunca a Utopia foi mais Utópica do que no tempo de Thomas More. Agora, por definição, as Utopias não têm lugar. Na Renascença muitas utopias eram regressivas. As visões arcadianas correpondiam a uma espécie de regresso. Um bom exemplo é a Hypnerotomachia Poliphili. Os sonhos de Polifilo eram o perfeito "setting" utópico. Depois, com More, vieram as viagens, das quais, obviamente o Swift é o expoente máximo e tristemente conhecido apenas por Lilliput.

R: Recordo-me de uma utopia particular, “Xanadu” do G. Nelson. Como olha para o actual estado do ciberespaço e da blogosfera em particular?


EC-R: Xanadu? A capital de Kublai Kahn? Acho que o ciberespaço é um conceito esgotado. Cibernetica lida com o estudo dos processos automáticos de controlo. Depois passou a significar tudo o que lida com computação. Sendo assim criou-se a ideia de um ciberespaço correspondendo ao conjunto das comunicações electronicamente e digitalmente assistidas que hoje são muitíssimo variadas. Em breve o electrónico e digital será tanto que ciberespaço será quase um sinónimo de espaço e consequentemente inútil como conceito. Posso comparar o sistema de controlo de fornecimento de gás natural com o messenger dos meus filhos, apesar de se passarem no "mesmo espaço"?
Quanto à blogosfera sei apenas que se assemelha, vá-se lá saber porquê, a uma esfera. Não blogo a não ser por acidente quando procuro alguma coisa (aliás nunca entendi o conceito de surfar) uso sempre a internet ou com um propósito de comunicação (email) ou para encontrar coisas determinadas. Uso o computador para escrever ou desenhar e não por desfastio (perfiro a RTP Memória). Agora noto que quando faço buscas, cada vez mais me aparecem resultados em blogues. O problema é que uma esfera de prosápia e auto-exposição se pode vir a sobrepôr aos verdadeiros sítios do conhecimento e um dia todo o ciberespaço será bloguico e consequentemente inútil para a produção de conhecimento. De repente é como se o projecto Gutemberg se transformasse em tagarelice.

R: Quais são os seus blogues de referência?

EC-R: Não tenho blogues de referência

R: Que pergunta acrescentaria a esta entrevista? E que resposta ela lhe mereceria?

EC-R: Pode, agora, dar-me uma definição de Design? Agora não posso.

PERFIL

REACTOR é um blogue sobre cultura do design de José Bártolo (CV). Facebook. e-mail: reactor.blog@gmail.com