Thursday, November 19, 2009




No âmbito do meu Seminário de Cultura Contemporânea integrado no Mestrado em Design da ESAD, amanhã é meu convidado André Parente, figura central na video-arte brasileira e um dos protagonistas da actual reflexão do campo da cultura visual.

Partilho a sinopse da conferência e a minha expectativa relativamente a uma sessão seguramente estimulante. A conferência terá lugar no auditório da ESAD às 17 horas.


O cinema de artista está a transformar a experiência da arte e do cinema nas suas diversas dimensões – discursiva (narrativas, montagem), arquitectónica (as condições de projecção das imagens) e tecnológica (produção, edição e exibição). Nesta conferência, André Parente faz uma reflexão sobre as principais tendências do cinema de artista na arte contemporânea: cinema experimental (anos 1950-70), cinema de museu ou de exposição (dos anos 1980 em diante), a partir da obra seminal de autores como Michael Snow, Antony Mccall, Thierry Kuntzel, Jeffrey Shaw.

Thursday, November 12, 2009

Viena


VALE A PENA LUTAR PELO DESIGN?


No passado dia 20 de Outubro a Academy of Fine Arts de Viena de Áustria foi ocupada por estudantes e professores como forma de resistência à implementação do processo de Bolonha e a favor na necessária reflexão sobre o ensino das artes e do design.

Na sequencia da ocupação foi redigido um manifesto, no qual se tornaram públicas as razões para aquela acção directa. Se a produção de manifestos tem sido crescentemente recorrente desde o final da década de 1990, quando a Adbusters reedita o texto de Ken Garland First Things First, a verdade é que na maioria dos casos os manifestos, independentemente do seu pragmatismo, aparecem antes da acção, como seu catalisador. No caso de Viena, o manifesto foi redigido durante acção e entre a tomada de posição política resultante de um acto de desobediência civil (a ocupação do edíficio) e a tomada de posição política resultante de um texto de reflexão pública (o manifesto) a complementaridade é evidente.

Em Portugal, uma mudança profunda no ensino do design, na sequencia da implementação das directrizes, de espírito economicista, saídas da famosa reunião dos Ministros da Educação na cidade de Bolonha, provocou pouca discussão. As escolas, na sua maioria, estiveram tão atarefadas a garantir a adequação a Bolonha que não tiveram tempo, energia ou vontade para, aprofundadamente, discutir o processo. As associações de design foram igualmente silenciosas e se alguma coisa pensaram sobre o assunto para si guardaram.

A tomada de posição sobre o assunto surgiu por parte de vozes isoladas, alguns críticos, com destaque para Mário Moura que se referiu ao ensino superior pós-Bolonha como a aldeia Potemkin 2.0 .

Alguns autores, por outro lado, defendem que o ensino de Bolonha se adequa melhor a áreas projectuais, possibilitando, enfim, uma aprendizagem por projecto “onde os alunos têm que se comportar como profissionais juniores desde o primeiro dia e começar a questionar os assuntos enquanto tal."

A reflexão sobre o ensino do design esteve recentemente a ser trabalhada no Congresso Europeu do Ensino Superior de Design que teve lugar na Culturgest em Lisboa. A iniciativa, em grande medida promovida pelo Centro Português de Design, anunciava como um dos seus objectivos “reunir uma task force para pensar o ensino do design”. Reunida a task force aguardam-se agora relatórios, conclusões, agendas.

Na ausência delas, talvez não seja negligenciável, como documento de reflexão, o manifesto dos ocupas de Viena e a manifestação, esperançosa, de que ainda vale a pena travar combates em nome do design e do seu ensino.


1. We oppose ourselves to university-based organisational structures that are determined by economic ends, as well as to the privatisation of teaching, research and knowledge production more broadly. We demand the full public funding and re-democratization of all educational institutions as well as the unconditional abolition of university fees!

2. We oppose ourselves to the pseudo-autonomy of universities. We demand the immediate withdrawal of §8* of the UG 2002!

§8.: 'Upon the proposal of the minister of education, the government may impose the installation of a branch of study on a university or several universities, given this is necessary on the basis of political decisions in the fields of education or science, and given there is no related former agreement as in a contract regarding university performance.'

We demand the freedom to define what teaching and research, as well as science and art, mean in the context of our universities.

3. We oppose ourselves to quality assessments concerning science and art when these operate by economic criteria. We are against the forced imposition of self-marketing strategies on universities, and against the conflation of education with competitiveness and elitism.

We demand the abolition of knowledge surveys and agreements on productivity!

4. We oppose ourselves to the degrading transformation of universities and schools into training facilities oriented by the labour market.

We want education as space for thinking, not training as the mere reproduction of workforce!.


5. We insist that the government refrain from taking teaching and art, science and research to be seperable as objects of thought and administration. We demand that the corresponding ministeries be merged immediately.

We insist that the rector defend the position of the Academy - and not his private view - when it comes to negotiating the terms of productivity with the ministry.

We demand that the rector make sure all existing courses of study remain in place, according to the decisions taken at the academy.

We demand that all financial activities within the term of the current agreement on productivity (2007-2009) be immediately revealed.

Edited by teachers and students of the Academy of Fine Arts Vienna.

Tuesday, November 10, 2009

cover 1



Na próxima quinta-feira, dia 12 de Novembro, tem lugar o lançamento do livro Paolo Deganello: As Razões do Meu Projecto Radical.

O projecto gráfico é da autoria de João Faria e Pedro Nora e o resultado é extraordinariamente sedutor. O livro, editado pela ESAD, foi coordenado por Maria Milano e conta com um ensaio da minha autoria, para além de artigos de François Burkhardt, Bernhard Burdeck, Joana Santos e uma entrevista a Deganello conduzida por Katja Tschimmel. Ao todo, são mais de 500 páginas documentando e analisando a obra projectual de Paolo Deganello, o seu contexto e implicações.

Na sessão de lançamento estão previstas intervenções de Maria Milano, Guta Moura Guedes, Enrico Baleri para além do próprio Deganello. Para conferir, a partir das 19 horas no B-Flat Jazz Club em Leça da Palmeira.

Sunday, November 08, 2009

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SE HOUVER ALGUM VAUGHAN OLIVER, POR FAVOR LEVANTE-SE!



Do boom do rock português do início da década de 1980 e dos anos que se seguiram, não guardamos o nome de nenhum designer ao qual possamos chamar de “nosso Vaughan Oliver” ou “Peter Saville português”.

Os nomes que encontramos creditados pelo design das capas dos discos parecem, desde logo, prometer o pior, entre outras, por três razões:

ou não são suficientemente sérios para serem levados a sério: nomes como Ni, Licas, Xico Z. ou Vitinha este último ligado aos Rádio Macau;

ou são demasiados sérios para serem levados a sério: como os aristocráticos Bernardo de Brito e Cunha, que trabalhou com os UHF, e António Campos Rosado que trabalhou com os Heróis do Mar;

ou soam demasiado ao nome de uma empresa de import&export: vejam-se os exemplos de Azinheira F&S ou Ana Cristina B.P.F que desenhou a capa do 78-82 dos Xutos e Pontapés.



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Que o design talvez não fosse, naquele contexto, assim tão importante, percebe-se igualmente por três factos:

um número muito significativo de capas de discos não apresentam a identificação do autor, como se o design fosse coisa menor para ser creditado;

ou, por outro lado, têm demasiados autores, como se um só não fosse suficiente para fazer um bom trabalho. A capa do Anjo da Guarda (1983) de António Variações é um bom exemplo, sendo o trabalho gráfico creditado a António Variações, José Manuel Cruz e Silva, Rui Gonçalves, Francisco Vasconcelos e David Ferreira.

Ou, então, são os próprios músicos a desenhar a capa. Assim acontece com as capas dos Beatniks e dos Interface, com as capas dos Go Graal Blues Band (algumas interessantes) desenhadas pelo baterista Raúl B. Anjos ou com algumas capas dos UHF concebidas pelo vocalista António Manuel Ribeiro. O paradigma desta lógica de acumulação é dado por Pedro Ayres Magalhães que colabora no disco Sonho Azul de Né Ladeiras como compositor, letrista, responsável pelos arranjos, multi-instrumentista (toca sintetizador, caixa de ritmos, guitarra clássica e baixo), produtor e designer gráfico.



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Convém realçar que, em boa parte das vezes não creditar o trabalho gráfico é perfeitamente justificável, vejam-se as capas de Caminhando (1983) dos Da Vinci ou Guardador de Margens (1983) de Rui Veloso, trabalhos que muito poucos teriam coragem de assumir.


Analisada a partir da perspectiva da indústria discográfica dos anos 80, a história do design gráfico português torna evidente vários aspectos. Percebe-se uma certa fidelidade das bandas aos seus designers (como os discos dos Ananga Ranga sempre da autoria de Pedro Freitas ou os dos Táxi (com algumas soluções inovadoras) criados por José Júlio Barros); reconhece-se uma clara rivalidade entre as grandes editoras e seus designers (José Júlio Barros na Polygram; José M. Cruz e Silva na Valentim de Carvalho) ao mesmo tempo que editoras independentes trabalham com os seus designers underground como Rogério Bold da Rádio Triunfo ou Victor Lages.



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Apesar da indústria discográfica portuguesa ser pequena, alguns designers tiveram oportunidade de criar capas de discos a um ritmo intenso. O caso mais evidente talvez seja o de José Júlio Barros que entre 1981 e 82 assinou, entre outras, as capas de Tripas à Moda do Porto dos Trabalhadores do Comércio, Táxi dos Táxi, Danza dos Arte&Ofício, o interessante Oito Encomendas discriminadas no verso dos C.T.T. e Cairo dos Táxi.

Este género de produção gráfica permanece por estudar e embora muitos dos autores de capas de discos não fossem designers gráficos profissionais (alguns dos nomes mais activos dessa época, artistas ligados às editoras, como José Julio Barros, vinham da pintura e seguiram por essa via) encontramos ali um universo gráfico tão desequilibrado quanto sedutor.


Desse período ficaram-nos capas de discos boas ( como Hands Off dos Zoom desenhada por Fátima Rolo ou quase todas dos Mler If Dada), outras francamente más, outras estranhas (como a maioria das editadas pela Rádio Triunfo), outras pirosas (em discos do Tantra, Jarojupe ou Iodo). Numa diversidade que, afinal, não deixa de caracterizar o design português de então.

Tuesday, November 03, 2009




SOMETIMES I WONDER
por John Getz


Passei o último fim de semana a desencaixotar livros que tinham ficado guardados num pequeno apartamento em Lauderdale no Minneapolis.

Algumas dessas caixas guardavam livros de artista comprados nos últimos anos, muitos deles por ocasião de viagens à Europa e visitas a feiras de pequenos editores.

Foi com um imenso prazer que, demoradamente, me dediquei a cada livro que retirava do escuro da caixa de cartão onde estavam depositados. O que começou por uma decisão prática de não adiar a necessária arrumação de um pequeno apartamento há algum tempo desabitado tornou-se, naturalmente, numa espécie de ritual que só pôde ser realizado depois de escolhida a música certa para o acompanhar e de aberto o vinho ideal para a ele se associar. Então sim, pude atentamente folhear o livro sobre Tumarkin publicado pela Har-El, ou o livro sobre Paul Celan editado pela Editions du Capricorne, pude recordar livros que me esquecera que tinha, como o lindo livro de Simon Lewis editado pela Passenger Books, pude reflectir sobre diferentes identidades editoriais através dos livros da Filigranes, da Onamatopee, da Art&Fiction ou da Roma Publications.

No final da noite as caixas de livros estavam vazias, a garrafa de vinho estava vazia, e no chão acumulavam-se pequenas colunas de livros formando interessantes esculturas. A imagem dessas torrezinhas de livros terá sido a última que registei antes de adormecer. Nessa noite sonhei sobretudo com livros. Na verdade, também tive um sonho bizarro onde via David Byrne a passear de bicicleta nas ruas de Lauderdale enquanto nevava. Só um detalhe: os flocos de neve eram pequenos e levíssimos livros.

Sunday, November 01, 2009

exd


EXD’09, QUE BALANÇO?


No próximo fim de semana encerra a edição 2009 da Experimentadesign. Quase dois meses depois do início podemos procurar fazer o seu balanço.


Quem teve oportunidade de assistir à semana inaugural, para além da agitação das inaugurações (e é também agradável sentir como o design pode agitar o quotidiano) e da (re)descoberta de vários locais espantosos da cidade (do Mercado de Santa Clara ao palácio Braancamp), no que já é uma das imagens de marca da Bienal, confrontou-se ainda com inúmeras propostas e reflexões estimulantes sobre o design contemporâneo. As Open Talks e as Conferências de Lisboa reflectem méritos e desequilíbrios que resultam da estratégia de programação: a de abarcar grande parte do vasto campo da actual cultura do projecto. O que implica um grande esforço de “representatividade” a nível disciplinar, geográfico, ideológico e estratégico. A consequência é de que dificilmente todas as intervenções (ou sequer a maioria) nos poderá interessar, independentemente da força da maioria dos participantes. No entanto, à excepção da duvidosa Open Talk 1 a restante programação foi, sem dúvida, estimulante.

Para ver, com tranquilidade, as exposições o ideal seria aguardar pelas semanas seguintes. Para a mais ambiciosa das exposições desta edição, a Experimenta convidou a conceituada curadora britânica Emily King e o resultado é, sem dúvida, muito interessante. O desafio de Quick, Quick, Slow, realce-se, era grande, mas dela resultou uma aproximação segura à história da imagem contemporânea a partir do olhar de um designer gráfico cuja linguagem vai sendo sucessivamente influenciada por diferentes objectos, suportes e meios, da animação aos videojogos.

As restantes três exposições, de características (e orçamentos) diferentes, cumprem os seus propósitos. Eventualmente, poder-se-ia esperar mais da Timeless que envolvendo um ponto de partida interessante e tendo reunido um conjunto sedutor de participantes nacionais e internacionais (Public Works, Abake...) resultou numa exposição algo difusa e desequilibrada.

Em relação aos catálogos da exposições nenhum é particularmente estimulante. O mais ambicionado, o da Quick, Quick, Slow é mesmo fraquinho. O mais interessante talvez seja o da Lapse In Time que é também o que mais me agrada graficamente. Um bom exemplo de como se poderia fazer mais com menos surge nas poucas páginas do interessante Portugal Imaginado criado por Joana Baptista Costa e Mariana Leão.


O ciclo de Cinema Contar o Tempo, programado por Ricardo Matos Cabo, apresentou na Cinemateca uma selecção de filmes maioritariamente dos anos 60 e 70 ligados ao Cinema Directo que, curiosamente, não terão menos como tema central o “espaço” do que o “tempo”. Claro que o tempo é central em muitos deles (essencialmente o tempo das imagens e as suas formas de narração) mas é a questão do espaço (seja na aproximação entre Cinema e Land Art no filme de Robert Smithson ou de Michael Snow; seja na centralidade narrativa da paisagem no conto de Ogawa; ou na exploração “topológica” do cinema directo de Jean-Claude Rousseau) aquela que naqueles filmes era mais determinante. O ciclo, apesar dos seus méritos, pareceu-nos descontextualizado da Bienal, para mais sabendo-se como a programação de filmes sobre design é, entre nós, tão escassa.

Uma palavra também para os inúmeros Tangenciais (apesar de nem todos os anunciados terem inaugurado) que garantiram um interessante efeito de contaminação da EXD pela cidade com alguns óptimos resultados (como o tangencial dos R2).



Ao nível dos conteúdos electrónicos, esta edição apresentou duas novidades: a existência de um blogue e a disponibilização de alguns textos em .Pdf a partir do site principal. A ideia de proporcionar “leituras complementares” (interessante o texto de Max Bruinsma) merece sem dúvida ser melhor explorada depois desta (tímida) experiência. Também o blogue carece de um outro tipo de gestão que garanta conteúdos mais ricos, mais informação, estimulando o debate a partir do blogue que, desta vez, foi inexistente.


São conhecidos os “anti-corpos” que a Experimentadesign gerou ao longo destes anos. Algumas críticas lançadas à EXD parecem-me espelhar essa “reacção epidérmica” seja ao formato da Bienal, seja à equipa da Experimenta, seja ao seu inquestionável sucesso. Neste sentido, algumas criticas parecem-me pouco consistentes, dois exemplos:

1. A crítica de que a EXD não contribui para a “descentralização” do design em Portugal. Talvez seja verdade, mas a EXD é, legitimamente uma Bienal de Lisboa (tal como a Luzboa o é ou tal como o London Design Festival é, legitimamente, um evento de Londres). Podemos sempre discutir as vantagens em concentrar ou dispersar, mas essa discussão não retira legitimidade à opção da Experimenta.
2. A crítica de a EXD é um acontecimento de forte componente “cosmética”, canalizando parte do orçamento para a promoção do evento e sua vertente lúdica. Também aqui, poderá haver alguma verdade mas, de novo, trata-se de uma opção legítima e, seguramente, estrategicamente justificada em função das linhas de gestão da Bienal (angariação de patrocínios e públicos, projecção internacional, auto-gestão de projectos tangenciais etc.). Claro que podemos discutir o formato, tal como podemos discutir o formato da Bienal de Saint-Étienne ou da Utrech Manifest mas isso não anula a legitimidade do formato escolhido e o sucesso da sua concretização.


Em síntese, neste regresso a Lisboa a edição 09 da EXD confirmou a importância que a Bienal tem no contexto do design português e o efeito catalisador que sempre acaba por gerar. Apesar da inclusão de novos curadores e programadores, a programação principal mantém uma identidade que facilmente associamos a Guta Moura Guedes. Esse mérito é seu. Com uma maior estabilidade política que se espera haja na Câmara Municipal de Lisboa e a manutenção dos principais patrocinadores, poder-se-á esperar uma edição 11 porventura ainda mais sólida. Vários detalhes poderão contribuir para essa solidez: uma programação mais distribuída pelo tempo da bienal evitando o efeito de esvaziamento de balão que se sente após a semana inaugural; uma maior capacidade de explorar o espaço público, tornando o evento mais contaminador da cidade; uma maior aposta na história do design português de que a edição 09 teve algumas aproximações; a exploração do blogue como espaço de discussão, criação e teorização; a publicação de um catálogo geral de não apenas documente mas produza conhecimento sobre design.

Friday, October 30, 2009

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CÓPIA?


Alguém me dizia ontem que mais de metade dos projectos de design que por aí circulam não são, legitimamente, da autoria de quem os assinou e, consequentemente, ficou com o trabalho e com os créditos. Este processo de apropriação terá diversas variantes, todas elas conhecidas: podemos estar a falar do trabalho concebido e desenvolvido pelo designer júnior de um estúdio que, no final, não vê o seu nome creditado, nem o seu vencimento de estagiário melhorado; podemos estar a falar do trabalho de um designer freelancer desconhecido feito para um cliente de bairro que é usado por um estúdio maior para um cliente maior; podemos estar a falar de um “fazer render” soluções da história do design; podemos estar ainda a falar de um conjunto de outras situações, nas quais o trabalho original é (mais ou menos) alterado, deixando sempre a hipótese de não ser mais do que uma coincidência.



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Também é sabido que alguns importantes estúdios internacionais, têm observadores atentos ao que se faz no segundo e no terceiro mundo do design, levando depois para o primeiro mundo (e primeiro mercado) trabalhos de autores com nomes estranhos (o que é indiferente já que o nome do autor não será creditado) que serão apresentados como soluções originais nos palcos certos.


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Se por vezes não conseguimos deixar de nos indignar perante uma cópia (o que acontece sempre que somos nós os lesados), a verdade é que a história do design é feita de sucessivas apropriações, devidas ou indevidas. Em todo o caso, isso não anula que a questão da propriedade mereça ser uma questão central na agenda de qualquer associação de designers.

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REACTOR
REACTOR é um blogue sobre cultura do design de José Bártolo, igualmente responsável pelo blogue Ensaio http://oensaio.wordpress.com reactor.blog@gmail.com
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