
Iniciei há uns meses o trabalho de escrita de “posfácios” a diversos livros. O projecto, que nasceu num enquadramento académico, cedo foi contaminado por regras pessoais passando a obedecer a um princípio orientador menos estável. De um pequeno conjunto de livros sobre design, em relação aos quais deveria redigir um “posfácio” de cerca de 5 páginas, parti para uma diversificada escolha de livros (da poesia ao conto) a posfaciar e daí para a escrita de posfácios a livros imaginários. Saber colocar um fim é importante.
Que tudo se nos apresenta de certa forma inconcluso, parece-me evidente. O fim é sempre uma marca provisória que nós facilmente podemos apagar ou transformar.
Um livro, um filme, mesmo um edifício só aparentemente estão terminados. A tarefa do leitor, do espectador, do habitante é, precisamente, a de prolongar a obra. A interpretação é, de facto, tarefa de rescrita, tal como a memória. E neste sentido, o esquecimento será a sua temporária conclusão até ao momento em que os fantasmas adormecidos da obra nos invocam ou são por nós invocados.
O fim de uma obra é importante e devemos saber que o “Fim” não é o Fim.








1 comment:
Estes "the end" poderiam realmente ser o princípio de muitas histórias.
Bonito post.
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