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CONDIÇÃO CONTEMPORÂNEA
Ressalta, na actualidade, tal como tem sido sublinhado por autores como Ulrich Beck ou Terry Smith, uma “condição da contemporaneidade”.
Reportando-nos ao contexto do design podemos falar numa condição contemporânea no design, condição essa que confere ao presente características particulares que produzem efeitos disseminados: da dimensão ideológica e pós-ideológica da política global à dimensão particular de cada existência individual.
Deste modo, termos como “modernidade” e “pós-modernidade” parecem inadequados para descrever esta situação, se não por outras, pela imediata razão que ela se constituí mediante uma permanente fricção antagónica, como lhe chama Terry Smith , que resiste, simultaneamente a qualquer particularização e a toda a universalização.
No interior desta contemporaneidade, pelo menos três forças, que não cessam de se modificar reciprocamente, estão conflagradas:
1. A pressão hegemónica da globalização, face a uma crescente onda de diferenciação cultural/ a pressão hegemónica da globalização pelo controlo do tempo, diante da proliferação de temporalidades assíncronas;
2. A intensificação da desigualdade entre nações, regiões, povos, classes e indivíduos, desigualdade que ameaça horizontes de emancipação;
3. A difícil (e por vezes conflituosa) coexistência de comunidades de conhecimentos especializados mas sem acesso umas às outras, reflectindo uma situação na qual a acção e a comunicação são potencialmente espontâneas e, no entanto, necessitam de ser mediadas.
Perante a emergência do que Ulrich Beck chama de “regimes políticos transnacionais” vamos assistindo a um crescente envolvimento do design em redes de acção transnacional mobilizadas por lógicas de política directa que visam gerar transformações sociais, já não como forças de contra-poder de combatem a partir de fora as instituições, mas agora operando no interior das próprias instituições. A ideia vai sendo afirmada mas não é demais sublinhar: a dimensão política do design está a mudar.
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