Saturday, May 09, 2009

SEBASTIÃO & PAUL









Para quem goste de acreditar nas virtudes dos wikis, a versão portuguesa da Wikipédia é uma profunda desilusão. Se ao entrarmos numa livraria é fácil pensarmos que o design português nunca existiu, essa ausência sai confirmada por uma visita à Wikipédia. Se a pt.wikipedia conhece, pouco e mal, quem foi Paul Rand, já desconhece em absoluto que alguma vez tenha existido Sebastião Rodrigues. Igualmente, uma procura por "Almanaque", "Victor Palla" ou "Sena da Silva" terão igual sorte. E se quisermos conhecer a espantosa obra gráfica de Paulo Ferreira, não adianta recorrer à wikipedia pois ela dir-nos-à que se trata de um jogador de futebol do Chelsea.

Não admira, pois, que uma pesquisa por "design português" não obtenha qualquer resultado. Design português? O que é isso?

25 comments:

Gigi said...

"Wikipedia's 12 million articles (2.8 million in the English Wikipedia) have been written collaboratively by volunteers around the world, and almost all of its articles can be edited by anyone who can access the Wikipedia website."

http://en.wikipedia.org/wiki/Wikipedia

Get it? :P

REACTOR said...

Esse era (também) o meu ponto. A lógica colaborativa da wikipédia depende da "adesão" que, por sua vez, reflecte níveis de interesse e conhecimento. As redes sociais - criadas a partir dos blogues, wikis ou twitter - interessam-me precisamente pelas virtudes dessa abertura. Mas embora sejam difíceis de "localizar" (a pt.wikipedia não é, sem mais, localizável com o espaço geográfico de Portugal) elas reflectem sempre uma "cultura" relativamente demarcada. Nesse sentido a pouca participação e pouca qualidade dos artigos sobre design da pt.wikipedia talvez reflictam a cultura do design que temos. Eu acho que reflectem. É precisamente por essa razão que muitos colegas meus me sugerem que passe a escrever os textos em inglês, eles acreditam que eu vez de um comentário ocasional os textos passariam a ser muito mais debatidos; ao que eu lhes respondo, é precisamente por isso que para mim faz sentido eles serem escritos em português. Get it? :)

REACTOR said...

Já agora:

http://designpedia.net/

Gigi said...

É enternecedor o apego à língua, ainda que obsoleto.

Anonymous said...

Que não se perca tempo com esta troca de galhardetes. Fica uma sugestão para começar a resolver o problema: http://pt.wikipedia.org/wiki/Design_de_comunica%C3%A7%C3%A3o

Está muito verde, é certo, mas pelo menos ainda não tem verdete.

Anonymous said...

caro amigo...
tenha paciência. esta "espécie" de definição está absurda. tira qualquer tipo de credibilidade a quem leva a sua actividade com respeito.
vá por favor estudar como deve ser e depois volte ao seu esforço.
agora escrever asneiras é que não.

REACTOR said...

Não sei a quem é dirigido o último comentário, se ao comentário anterior se ao "post". No caso de ser ao "post" e, logo, a mim: não sei quem escreve (mas se diz que somos "amigos"...) mas o que escreve revela não ter percebido a intenção do "post" (não há, como me parece saltar à vista, qualquer intenção em construir uma "definição") e não ter muito para dizer (daí o comentário não dizer, em concreto, nada). Em todo o caso, o espaço de comentários permite a livre expressão de opiniões (assinadas ou anónimas) e (independentemente de nelas me rever ou não e de nelas encontrar maior ou menor pertinência) todas são bem vindas.

Anonymous said...

caro reactor,

não foi em absoluto ao post.
é um comentário ao comentário, possibilidade presente nestes espaços.

e que pelos vistos é aproveitada para alguns corajosos demonstrarem a sua boa vontade. não tenho nenhuma oposição à mesma, mas o conteúdo das mensagens tem de ser sério e passar por uma validação, quando o autor não souber o que dela fazer.

afonsoduarte said...

Nesse sentido a pouca participação e pouca qualidade dos artigos sobre design da pt.wikipedia talvez reflictam a cultura do design que temosO que reflecte a cultura do design que temos são artigos como este. Em vez desta inútil crítica, por que não preencher as lacunas com o conhecimento que tem? O interessante da wikipedia é que não existe um corpo sólido e diferenciado responsável pelos seus conteúdos, não existe separação entre leitor e autor. Ao lamentar-se da ausência de certos artigos está apenas a admitir a sua incapacidade de os produzir.

REACTOR said...

A "incapacidade de produzir artigos" que o Afonso Duarte refere é para mim estimulante :) (ah! são estes leitores que um dia farão de nós algo de jeito).

Embora não duvide de que conhece a minha "produção" (certamente não escreveria o comentário se a não conhecesse)espero que não avalie a minha "incapacidade" para "produzir artigos" apenas pelos cerca de 400 artigos publicados no Reactor; não se esqueça dos artigos publicados no Ensaio, na Arte Capital, na Interact e leve em conta também os textos publicados em jornais e revistas em papel, nacionais e internacionais, e as actas das conferências e os textos para catálogos e as folhas de sala de exposições e os livros (um deles disponível em .pdf).

Mas claro (suprema falha!) parecem faltar os wikis... olhe que não, embora seguramente o saiba (não escreveria o comentário se o não soubesse) estive ou estou ligado a dois wikis de design e, como também saberá, vários materiais produzidos por mim para alunos de licenciatura e mestrado em design estão disponíveis em blogues e, muito em breve, uma aplicação twitter permitirá a partilha de breves ideias sobre design.

Que também fico claro, como facilmente se percebe (e creio que o A. Duarte perceberá) não é necessário produzir ou editar conteúdos na wikipedia para se poder desenvolver (mesmo que da forma circunstancial como o post o fez) sobre ela uma análise. Caso contrário o que estaria em causa era a impossibilidade da crítica (é isso, mesmo que sem intenção, o Anfonso Duarte defende no seu comentário). De resto, a análise revela uma intenção positiva de contribuir para a melhoria do objecto analisado. Neste sentido, agradeço os comentários de todos são também eles a justificação dos textos.

REACTOR said...

Oportunamente:

http://www.designobserver.com/archives/entry.html?id=23048

João Alves Marrucho said...

Não me identifico com consenso nesta cadeia de comentários. Eu até encontro perspicácia na definição presente na Wikipédia proposta pelo primeiro anónimo. Mas, como ele diz, e muito bem, está verde e não "absurda". Em vez de fugir ao desfio, e ir esconder certezas do pensamento para um qualquer outro espaço de definições, hei-de, com o merecido tempo e atenção, contribuir para a melhorar.

O bitaite do segundo anónimo é significativamente bem menos entusiasmante. Se há algo que deve ficar claro, é que é preciso escrever asneiras para que se percebam os erros.

Sem mais.

Anonymous said...

muito bem, mas em nada contribuiu.
chegar aqui e dizer que gosto ou não gosto, é gesto de designer que há muito se habitou a deixar os outros tomar conta do significado objectivo, científico e clarificador que o design pode ter.
qualquer definição de design de comunicação há-de ser imperfeita, até inconclusiva. mas deixarmo-nos andar com verdadeiros atropelos ao que é o cerne da nossa actividade é não só prestar um mau contributo à disciplina como à profissão desenvolvida por todos os nossos colegas.
portanto, caro marrucho, ponha-se lá a escrever na wiki. comente o que há para comentar. agora vir comentar o comentador... tenha paciência... encontre-se.

João Alves Marrucho said...

Na estrada:
"o significado objectivo, científico e clarificador que o design pode ter"= Verdadeiro atropelo ao que é o cerne da nossa actividadee voltar atrás para pisar outra vez.

Anonymous said...

pois sim, vamos antes todos pensar que somos artistas e que isto de explicar a profissão não interessa nada.
vamos alargar o espectro dessa compreensão a todo o designer que tem atrás de sim mil e uma pessoas de backgrounds diferentes a opinarem sobre se é mais para a esquerda ou mais para a direita. que determinada cor é "pesada" e outra é muito "clean".
vamos andar sem aprender com o passado, porque afinal está na moda e o que os outros fizeram, porque não entendem, não interessa.
vamos todos fazer isso, só porque alguns "iluminados" persistem em ter uma razão cega e inexplicável...
haja paciência.

Mário Moura said...

Boa parte das queixas que aparecem nestes comentários resumem-se à velha ideia de que, em vez de criticar um objecto, seria preferível melhorar esse objecto – dito por outras palavras: só podes criticar se conseguires fazer melhor. Como argumento, é fraco. Só serve para calar o opositor, sem grandes méritos para além disso.

No fundo, é uma forma de dizer "se, em vez de estares para aí a falar, fizesses o que eu faço, até concordavas comigo" e que, no fundo, quer dizer "se estivesses no meu lugar, até concordavas comigo". Trata-se efectivamente da falácia da petição de princípio: "se concordares com aquilo que quero provar, posso-te provar isso".

Anonymous said...

é curioso que tenha lido alguns textos no seu blog que vão pelo mesmo caminho.
não se revê?

Mário Moura said...

não entendo a pergunta. rever em quê, exactamente? quais textos?

Anonymous said...

vá lá...
está a chutar para canto.

João Alves Marrucho said...

Se na minha entrada pareceu que disse que só vale a pena criticar se se conseguir fazer melhor, foi porque não disse tudo.
Esclarecendo, encontro diferenças pouco importantes entre a crítica enquanto instrumento do Fazer, e o desenho enquanto instrumento do Pensamento.
Para mim "o fazer posters" e "o fazer posts", nunca se contrariaram. Misturaram-se sempre.

Resumindo, sobre as discussões acerca do fazer frases e do fazer bonecos: não há ganhar, não há perder, só há fazer.

Mário Moura said...

caro anónimo,

depois de me acusar de ter feito, não sei quando e não sei onde, não sei o quê, fiz-lhe duas perguntas bastante concretas a que você não responde. se os seus argumentos tivessem algum mérito, ser-lhe-ia fácil responder.

volto a insistir, de uma maneira mais directa (se é que isso é possível): quais textos?

Anonymous said...

meu caro,

não se esquive e não me obrigue a reler os seus textos.
então prefere abstractizar para assumir uma suposta maturidade intelectual e depois só quer ler respostas que concretizem?
quem é que está confuso?

Mário Moura said...

caro anónimo,

você faz-me uma acusação vaga e que se recusa a explicitar.

eu pergunto-lhe a quais textos você se refere, de forma a que me possa defender.

você não responde e diz-me (ironicamente) que eu chuto para canto.

eu pergunto-lhe outra vez de que é que você me acusa e você mais uma vez não se maça a responder e diz que eu prefiro "abstractizar".

imagino que na sua cabeça esteja tudo muito claro e que basta abrir a boca para todo o mundo não só entender o seu ponto de vista como concordar incondicionalmente com ele. infelizmente, um bom argumento precisa de fundamentos, que neste caso não me parece que existam.

–––––

olhe, para abreviar, peço as minhas desculpas, pensei que estávamos a discutir a sério.

se calhar era melhor recomeçar:

você dizia:

"é curioso que tenha lido alguns textos no seu blog que vão pelo mesmo caminho.
não se revê?"

e eu respondo:

"não. não creio que alguma vez tenha escrito nada assim."

e você responde que:

"sim, escreveu"

e eu respondo que:

"não, não escrevi"

e por aí adiante.

Anonymous said...

bom, se vai fazer a conversa pelos dois, escuso de continuar.
mas sabe que quando a conversa a dois é criada apenas na mente de um, não deixa de ser monólogo.
é o que dá a recusa em ouvir a opinião exterior, ainda que contrária.

como não demonstra interesse no tema, esteja à vontade.

Mário Moura said...

(na verdade, ainda estou à espera - cada vez com menos interesse, é verdade – de saber quais os textos a que se refere, mas o tempo aquece, o Verão está a chegar e tenho mais que fazer)

ARQUIVO

PERFIL

REACTOR é um blogue sobre cultura do design de José Bártolo (CV). Facebook. e-mail: reactor.blog@gmail.com